24/02/2013

FARMÁCIA MONTADA. CADÊ FREGUÊS?




João e Maria resolvem vender tudo o que têm na cidade grande e se mudar para o interior. Cidade pequenina, sem assaltos, sem roubos, sem mortes no trânsito e sem um monte de coisas.
Lá no interior, em Tabuí, resolvem que o melhor que poderiam fazer seria montar uma farmácia. Compram uns remedinhos, assim pra dor de barriga, dor de cabeça e febre e mais uns outros e tá montada a farmácia. A dita cuja fica no térreo e o casal ocupa o andar de cima. Era o único predião de Tabuí. No primeiro dia, não aparece nenhum freguês. Nem no segundo e no terceiro. No quarto dia, vem um pedir água. No quinto dia, lá pelas quebradas da madrugada, alguém bate na porta de aço, aprontando o maior barulhão.
- Ô de casa! Abre aqui pur amô de Deus!
O João acorda meio tonto e fica vou não vou... Até que a Maria fala:
         - Vai, João! É nosso primeiro freguês, sô! Vai lá e atende o homem!
João desce, ainda tonto, de má vontade, trocando as pernas. Abre a porta com dificuldade, ao mesmo tempo em que pensa “quem sabe agora, nesta hora, consigo vender muito remédio, para descontar os dias em que passei à míngua”.
Assim que abra a porta, quem ele vê? O Cirino, o maior bebum da cidade.
- O sinhô tem meroral?
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