25/02/2013

O POCASO DO EPAMINONDAS





Epaminondas com a Vicentina viviam como que enterrados lá nos cafundós de Toá, na roça, dias, meses e anos a fio. Em Tabuí só apareciam em época de Semana Santa, quando iam à igreja do padre Anacleto, para acertarem a contabilidade com Deus, Nosso Senhor.
Mas um dia, eles, que nem conheciam a capital, resolvem ir a Bel’zonte. Vicentina bota bastante vidiperfume na mala de papelão, causdiquê seu sonho era conhecer um shopping. Umas roupinhas de ver Deus, umas chinelinhas, um par de botinas e... Pé na tábua.
Na capital, já no pondiôns perda rodoviária, o casal começa com uns desacertos por que não sabiam pra que lado era o shopping, na Praça da Savassi.
- É pra lá, Centina!
- Né não! É bem pra lá, Paminonda!
Cada um apontava pro lado oposto do outro. Só quando resolveram perguntar “cêssá siesse ôns passanassavass?” é que descobriram que o Epaminondas estava certo.
No shopping havia a apresentação de umas momças muito bonitas mostrando um monte de coisas e, inclusive, uma coleção de maiôs, biquínis e lingeries. Epaminondas achou aquele trem bão demais da conta, encarapitado nas pontas dos pés, olhos bem arregalados mode não perder nada do espetáculo... Babando de montão e mãos nos bolsos.
Vicentina, vendo o assanhamento do moço, com comportamento bem diferente daquele marido pacato lá da roça, tão manso e tão vergonhento, não aguenta o vexame e, com ciúme nunca dantes aparecido, passa-lhe uma escaramuça:
- Oncêtá ca cabeça, home de Deus? Qui cara de bobo é essa, Paminonda? Até parece quiocê nunca viu perna e nem peito de muié inhantes!...
Sem tempo de prestar atenção ao que a mulher dizia, ainda com os olhos grudunhados nos traseiros das moças, Epaminondas responde:
- Uai!... Num é de vera, muié? Óiaqui, ó!... Sáquieu tamém tava pensano a mema coisa?
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