22/01/2013

REMÉDIO ERRADO, DOENÇA PROLONGADA



Pedro e Pedrina estavam casados há uns cinco anos e as diferenças já aumentando. Foi por essa época que Pedro descobriu que Povim de Tabuí comentava, à boca pequena, que o moço casara por interesse, já que a sogra era dona da Penção Socêgo, com três ou quatro quartos. Grande demais da conta pra tão pacata currutela.
Tio Marcolino chegou a falar pro Pedro:
- Ó sô, casa por dinheiro não. Tem empréstimo mais barato!...
Mas eis que nasce o segundo filho. Logo no dia em que Pedro levou um tombo e teve uma séria inflamação muscular, ficando mesmo bem mal da perna. Pedrina também não ficou bem, pois teve descolamento da placenta. Os dois começaram a tomar remédio e, para o filho mais velho, de quatro anos, não bulir, colocaram os medicamentos em cima da geladeira.
Enquanto isso, o tempo passava e Pedro brigava em dias alternados com a mulher e com a sogra. Ah, se arrependimento matasse!... E meditava com seus botões: “quem me dera o meu tempo de namoro aqui e ali, quando o amô era um jardim frorido. Pois, agora, com essa droga desse casamento, virou um campo de urtiga”. Descobriu o moço que um solteiro pode ser tão idiota quanto um homem casado, mas ele ouve isso muito menos vezes. “Ainda mais com essa jararaca de sogra zucrinano minha vida”. Cruzcredo!
Só que Pedro, como a maioria dos habitantes de Tabuí, não sabia ler direito e as caixas dos medicamentos lá em cima da geladeira, eram bem parecidas... Daí pra misturar tudo foi um pulo. Resultado. Pedrina, que tomava o seu remédio direitinho, sarou logo, mas Pedro teve a inflamação piorada. E a sogra, para pisar um pouco mais na ferida do coitado do genro, gozava:
- O Pedroca pode num tê sarado da inflamação, mas discolamento de pracenta ele nunca vai tê!...
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