19/01/2013

MALDITO ANALFABETISMO



     Manequinho era homem dito sistemático, dos mais organizados. Mal sabia ler e escrever, mas tinha um escritório – uma mesinha lá na sala – das mais ajeitadinhas, onde colocava as contas e as anotações do que fazia ou deixava de fazer no dia-a-dia.
     No caderninho de capa preta, anotava, mês a mês, as contas a pagar:
  Janeiro: porco do genô, luiz,  venda do tião, buteco da lila, conta de aguá.
  Fevereiro: passage pra toá, vetido pra muie, ropa de bacho pras fia, luiz.
  Março: luiz, xinelo pra mim, queca pra mim, conta de aguá duas veiz.
     Foi no final do terceiro mês que a muié não agüentou.
     - Ô Maneco, que droga de Luiz é esse quiocê todo mês tem que pagá prele?
     - Luiz?... Que Luiz, muié?
     - Esse qui táqui n seu cadernim, trem!...
     - Cê num sabe lê, né mezzz? Ó, Sá! Prestenção! Aqui tá iscrito é luiz, num é Luiz. É a conta da energia eletri de todo mês, uai! Cê veve no iscuro puracaso?
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