22/01/2013

SURDA POR CONVENIÊNCIA?



     Dona Lulu tinha uma empregada. Mais surda do que a porta da cozinha. Segundo as más línguas a surdez era proposital. Só quando ela, a Judite, queria. Dona Lulu, da rua, um dia teve que telefonar pra casa.
     - Judite, sou eu...
     - Dona Lulu num táqui não!...
     - Mas, Judite, sou eu, a Lulu!
     - Dona Lulu num táqui, já falei!
     - Judite, já disse que sou eu, a Lulu!
      - Ah, bão!... É a Duminga, né?
     - Que Domingas o quê, muié! É a Lulu!... Ô droga!
     - Pois é, dona Duminga, a Lulu saiu! Foi batê perna por aí qui é o quiela sabe fazê!...
     - Judite, sua filha da mãe! Além de não ouvir, ainda inventa, sua égua!...
     - Ó, dona Duminga, ela saiu cedo pra mode batê perna e sei lá fazê mais o quê... Inté agora na rua! Pode isso, sá?
     - Ô, Judite, cê quer saber de uma coisa? Vá plantar coquinho, vá!...
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