25/11/2012

O PROBLEMA DOS OUTROS TORNA O NOSSO MENOR?

     Isaldino sai de Tabuí e vai pro Rio de Janeiro conhecer as praias, as mulheres das praias e mais um punhado de coisas que vira na televisão. Lá na praia vira o zoinho puma mocinha e se engraça pro lado dela pedindo namoro enquanto, de longe, o casal era vigiado pelo rapaz do morro. A moça era a namorada do chefe. Não deu outra. Assim que Isaldino vai lev
ar a moça lá pro alto, é cercado pruns homens de pouco riso.


     - Ocê se fudeu, mineirinho! Agora vai ver com quantos paus se faz uma canoa!
     E levam o pobre do Isaldino prum barraco onde tava um bitelo do homem.
     - Djalmão, o chefe ordenou inaugurar esse daí e mandá vê no fiofó dele que é pra ele aprender a não mexer no que é dos outros.
     O Djalmão, que tomava umas biritas num canto do quarto, apenas diz com aquele vozeirão de homem grande:
     - Pode deixá ele aí no cantinho que cuido dele já, já!...
     Isaldino, até arrepiado, sentindo o perigo rondar, fez um apelo:
     - Seu Djalmão, faiz isso comigo não... dependeno do que o sinhô fizé, minha vida vai acabá... meu nome vai valê de nada...
     - Cala a boca aí, ô nanico e fique quieto!...
     Nisso, batem à porta do barraco e entram outros caras trazendo outro infeliz que desrespeitara mais alguma regra do morro.
     - Djalmão, esse daqui o home mandô cortar as duas mãos e furar os olhos... é pra ele aprender a não tocar no dinheiro do chefe!...
     - Deixe ele aí que eu resolvo!
     E chega mais um, revoltado e xingando todo mundo.
     - Djalmão, esse daí é pra cortar o bilau e a língua... é pra ele não se meter mais com mulher da favela!
     - Resolvo isso já, já. Bota ele ali no cantinho com os outros...
     Vendo-se num mato sem cachorro, com a tensão crescendo a cada segundo, olhando pros dois colegas de infortúnio, Isaldino, com medo do que lhe esperava, resolveu se manifestar:
     - Seu Djalmão, com todo o respeito, só pro senhor não se confundir, eu sou o do fiofó, viu?
Postar um comentário