13/11/2012

Quem é mais doido?

Zé Pelotinha era o moleque mais encapetado daquelas bandas. Azucrinava todo mundo. O pai, João Pelota, não agüentava mais ouvir as reclamações da vizinhama. Já tinha feito até umas crueldades com o menino mas de nada adiantara.
Num certo dia o moleque passou dos limites. Amarrou palha de milho no rabo do gato e botou fogo. Aí o velho Pelota não agüentou. Perdeu a estribeira. Ainda mais que o gato, no seu desespero, saiu correndo feito doido e jogou fogo no pasto sequinho do Tonico Cota. O vizinho, logicamente, veio reclamar cheio de razão. Foi a gota d' água.
João Pelota pegou o Pelotinha pela orelha e foi levando-o meio no arrasto para o terreiro a fim de fazer a devida correção no moleque. Mas o danado do menino, num bote só, escapa da mão do pai e trepa no ingazeiro, mais esperto que gato. Pelota não perdeu tempo. Pegou um machado e em dois tempos derrubou a árvore. Menino acompanhou a árvore no tombo e, já no chão, se mandou numa correria desenfreada, enquanto o pai atirava-lhe umas pedradas doídas.
Tempos depois João Pelota e a Pelotada toda vai a Tabuí para as cerimônias da Semana Santa. Dias de muita reza, muita devoção e arrependimento dos pecados. Foi aí que o Pelotinha resolveu, com medo do diabo e dos infernos, fazer uma confissãozinha. Contou ao padre o que tinha feito com o pobre do gato, as conseqüências da sua arte e até as pedradas que recebeu do pai.
O padre Anacleto, achando graça na história e não tendo muito o que falar, saiu-se com esta:
- Você é doido, mio figlio! Desobedecer seu próprio pai!...
Ao que o Pelotinha respondeu perguntando:
- Quem é mais doido, padre, quem joga a pedra ou quem corre com medo dela?
- Claro, figlio mio, que é quem joga a pedra!
E o moleque concluiu sabiamente:
- Então meu pai é mais doido que eu!...
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