30/06/2014

O ATIRADOR DE FACAS

   
O casal ia, estrada a fora. Artistas de circo que se dirigiam a Bambuí, onde, à noite, fariam a sua apresentação no circo. Ela, a personagem que ficava presa a uma peça de madeira, enquanto o marido atirava facas e mais facas contornando o seu perfil, sempre saía ilesa ao final do espetáculo.
Mas eis que foram parados pela polícia rodoviária. E o policial que revistou o carro estranhou aquelas facas guardadas no porta-malas e quis logo uma explicação.
    - Sô guarda, és faz parte do nosso número. A gente somos artista de circo...
    O policial fez cara de não tô acreditando e quis tirar a história a limpo.
    - Ah, é, é?... Então mostra o seu número aí pra mim...
    Foram os artistas e os policiais para uma árvore grande, grossa e frondosa bem ali na beira da estrada e, enquanto o casal se posicionava, um terceiro policial tratava de parar o minguado trânsito. E começaram a voar facas atiradas pelo homem que se posicionou no meio da rodovia enquanto sua mulher estava com os braços abertos, encostada à árvore.
    Foi bem no meio do espetáculo proporcionado de graça pelo casal de artistas, que chegou o Janjão, lá de Tabuí, a cidade mais próxima do acontecimento, dirigindo seu possante fusca amarelo, abarrotado com a mulher, a sogra e uma reca de filhos, além do papagaio, dois gatos e um cachorro.
    - Minha Nossinhora! – exclamou Janjão, olhando de esguelha pra mulher – inda bem que parei de bebê. Óia aí, muié, o teste que a polícia tá fazeno agora! Virge Maria!...

©By Eurico de Andrade, in Tabuí e seus Causoshttps://www.facebook.com/causos e http://tabui.blogspot.com.br/
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