15/05/2013

VAI QUE COLA, NÉ?



Montaram uma agência bancária em Tabuí. Começou tudo muito bem, tudo muito bom, até que houve o assalto. Sim, também lá acontecem dessas coisas do Brasil civilizado. Os assaltantes, uns dez ou doze, todos muito bem educados, mandaram que os clientes fizessem fila. Dois seriam escolhidos para serem fuzilados. Assim morte rápida, sem muito sofrimento, para que todo o país soubesse que por ali passara o bando do Manocleudo.
Fila feita, o assaltande chefe vai escolher quem deve ser morto. Chega ao primeiro, aliás, à primeira da fila, aponta o rifle, que de tão novo até brilhava, e pergunta:
- O nome da senhora, por favor!... Vamos ver se a senhora tá no ponto pra eu matar...
A mulher, coitada, não acha palavras, gagueja, treme, sua frio, até que sai:
- Ro-ro-rosinha!...
- Dona Rosinha!... – falou exultante o assaltante – É o  nome da minha vozinha, quem  me criou... A senhora pode se mandar. Tá liberada, em homenagem à minha vó!
O Próximo da fila era um cabra novo, forte a grandão, que todo mundo conhecia em Tabuí, principalmente por estar agora fazendo concorrência ao banco. Também emprestava dinheiro a juros exorbitantes. Era o Sansão Bontempo.
- Seu nome aí, seu barrigudo!
Sansão ficou meio de lado, botou a mão na boca, em concha, de forma que mais ninguém ouvisse e falou pro meliante:
- Óia aqui, ó... Meu nome é Sansão Bontempo... Mas lá in casa todo mundo trateu de Rosinha...
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