14/04/2013

NO TREM DE FERRO




    O trem de ferro ia celeremente, a quinze ou vinte por hora, com destino a Tabuí. No vagão de segunda classe a coisa não tava boa. Gente assentada até no chão, ar fedido de cigarro e vômito ressecado de alguém que enjoara, sem falar na catinga de subaqueira...
    Ao lado da porta, entre esta e o primeiro banco, um velhinho, assentado no piso do carro, aos pés de uma madame com cara de poucos amigos. De repente ele tira um olho, que era de vidro, joga-o para cima e pega-o de novo. Depois de ter feito isto por três vezes a madame não aguenta e reclama:
    - O senhor tem que ficá fazeno isto? Já vi qui o sinhô tem pobrema... pode pará, seu inzibido!
    - Num tô inzibino não sinhora! Sô tô quereno vê se lá na frente tem lugá vago mode eu sentá, uai!...
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