20/04/2013

ELE VIU A LIGEIREZA DELAS




Aquele dia foi a glória pro Varistão. Num domingo ensolarado ele saiu de Tabuí levando dois baldes e foi pra sua fazendinha buscar umas frutas. Olha daqui, olha dali, cuida disso, cuida daquilo, até que ouviu uns gritos pros lados do açude. Na fazenda não ficava ninguém, nem pra tomar conta e ele estranhou a gritaria. Ao chegar mais perto, viu que umas oito moças, todas nuas, tomavam banho no açude. Varistão achou aquilo bão demais da conta e foi indo devagarinho carregando os baldes, já com algumas frutas e apreciando os detalhes da surpreendente paisagem. “Isso é que é muié e não aquela jararaca que tenho lá in casa”, pensava ele.
Mas, como tudo que é bom dura pouco, uma delas viu o Varistão. Soltou um grito, mergulhou e foi pra parte mais profunda do açude. Foi igual acontece a um bando de capivaras. As outras fizeram o mesmo, numa gritaria só.
- Bom dia, moças! Tudo bem cocêis?
A turma não sabia  o que dizer e o que fazer. Até que uma resolveu dar bronca no dono da terra e do açude:
- A gente não sai daqui enquanto o senhor não parar de espiar a gente e for embora!...
Varistão dá um sorriso maroto e retruca, mostrando os baldes:
- Moça, num vim aqui pra espiá ocêis não!.. Vim aqui foi pa trazê carne pra alimentá os jacaré que tão com uma fome danada nessa parte mais funda do açude.
Aí é que foi gritaria de verdade. E Varistão teve mais oportunidade de apreciar a paisagem enquanto catava os paninhos que as moças deixaram pra trás, na ânsia de fugir dos jacarés...
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