21/03/2013

VELÓRIO COM BÊBADOS




     O Tião Catarrinho, junto com mais uns doze ou quinze, formavam a turma do copo de Tabuí. Quase todas as noites tavam eles, em cantos diferentes da cidade, entornando pinga na goela. E só altas horas da noite procuravam o caminho de casa, que às vezes encontravam. Numa noite dessas o Tião, na insistência de descobrir o caminho de casa, acha uma casa com grande movimento e resolve entrar. É velório. Ele entra mesmo sem convite, esperando encontrar café, broas, bolos e biscoitos. Acha é nada. Senta numa cadeira à cabeceira do defunto e fica assuntando, esperando engano pro estômago vazio.
     Poucos minutos de sossego, chegou uma velha chorando, que passou a mão na cabeça do falecido e disse:
     - Coitado, morreu feito um passarinho...
     O Tião respondeu:
     - Hã- Hãn!...
     A mocinha bonita que veio a seguir passou a mãozinha maciinha no rosto do falecido e falou baixinho, coisa que só o Catarrinho conseguiu escutar:
     - Tadinho, morreu como um passarinho...
     - Pois num é?... – respondeu, com uma piscada d’olhos, o Catarrinho.
     O mesmo aconteceu com um rapaz fortão que deu um coque no coco do defunto:
     - Coitado docê, morreu quinem um passarinho...
     Tião não respondeu nada, com medo de levar coque também. Depois de passarem umas trinta e tantas visitas, todas dizendo a mesma coisa, o Tião não responde mais nada e já tinha firmado juízo sobre a morte do defunto. Foi aí, bem pra lá da meia noite, sem o café, os bolos, as broas e os biscoitos, que chegou outro mais bêbado que o Tião Catarrinho, procurando a mesma coisa, naquele movimento inesperado. Ao ver o colega, marca o rumo e chega lá, tropeçando nos próprios pés.
     - Ô Tião!... Hic!... Esse daí morreu do quê?
     - Ah, Kussen Pestana, eu num tenho certeza não, sô...Hic!... Mas tô achano que foi duma estilingada!.... 

(Reescrito, com base em causo enviado por MTFreitas, de Caxambu-MG)
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