21/02/2013

ZENOBRE FICOU SEM NOBREZA




Zenobre arrumou emprego no bar do Copo Sujo. Aí ajuntou a sede com a vontade de beber. A toda hora tava o moço molhando a goela. E não tinha dia que Zenobre chegava são em casa. Aquilo foi piorando, piorando até que ele passou a não conseguir mais ir trabalhar. Os amigos aconselhavam, mas de nada adiantava. O vício entranhou na alma do moço e ele não dava mais conta de largar a marvada.
Até que piorou tudo. Zenobre entrou em coma. A notícia correu as três ruas de Tabuí feito fogo no paiol e os amigos foram chegando pra fazer companhia ao doente no que previam serem os instantes finais.
Zenobre tava lá na cama e a turma em volta, cada um com a cara mais séria que o outro, imaginando como seria o encontro do amigo com o Criador. Houve até quem pensasse em mandar algum recado pro Altíssimo.
Zenobre como eu disse, na cama, já em posição de morte. Alguns dos amigos choravam disfarçadamente. Até que o Cara de Onça, olhando de lado, teve uma ideia:
- Óia ali um Santantonho! Vamo botá ele nas mão do Zenobre. Já que ele tá morreno, que morra com um santo... Né não?
Quando Zenobre sentiu que tinha alguma coisa nas mãos, começou a resmungar e a abrir a boca, mostrando a língua. Aí achou a cabecinha do santo e com muito custo pediu, balbuciando:
- Gente, tira a rôia!

(Escrito com base em relato de M.T. Freitas, de Caxambu-MG)
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