
Na
hora certa, tá lá o Valdêncio na frente do homem. Um juiz de fora que, vez ou
outra, vinha a Tabuí julgar umas causas. O cidadão suava frio, fedia inhaca,
mas tava lá, acompanhado de um advogadozinho fuleiro.
-
O senhor é o pai, de acordo com o exame de DNA que está aqui nos autos.
Portanto, se fez, agora paga.
O
juiz deu uma examinada nas folhas do processo e continuou:
-
O senhor já deve ter calculado e já decidiu quando vai poder pagar de pensão,
não é? É só falar e pronto. Eu julgo e o senhor está liberado...
Ao
ouvir o discurso da autoridade, Valdêncio arregalou os olhos, como se não
tivesse entendendo nada. Deu tremedeira, dor de barriga e boca seca enquanto o
suor brotava na fronte. Olhou pro advogado com olhos pidões de socorro. E o
advogado, inexperiente, calado. Como ninguém falou nada, o juiz voltou à carga:
-
O que o senhor acha de três salários mínimos por mês?
Foi
aí que o advogado criou coragem para intervir:
-
Excelência!...
-
Não senhor! O senhor não precisa falar nada. Deixe o réu responder ao que
perguntei!
O
advogado engoliu em seco, tremeu nas bases, mas voltou humildemente e
timidamente a insistir:
-
Mas, Excelência!...
O
senhor juiz, que naquele dia estava de bom humor – pois que arrumara namorada
nova - resolveu dar uma chance ao rábula.
-
Tudo bem. Está com a palavra o advogado de defesa!
-
Excelência, a ação não é de investigação de paternidade. É de indenização por
colisão de veículos!...
O
Excelência, meio sem graça, para tirar o dele da reta, jogou a culpa no
escrevente:
E
o Valdêncio, que amarelo estava, só começou a recobrar as cores quando o advogado
providenciou-lhe um copão d’água.
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