20/02/2013

DEFUNTO FALSIFICADO




A igreja tava um frejo quissó... Povim reunido. Comemorando? Não. Velório, o do Alceu. Morreu o homem, que um dia fora vereador, muito conhecido em Tabuí e redondezas. Padre Anacleto, querendo descansar um pouquinho, passa a palavra pro prefeito. E este não perdoou, gavando o falecido e tentando garantir uns votinhos pra próxima eleição, já que iria candidatar-se de novo, pois que, na política, ninguém é doido de largar o osso facilmente.
- Nunca vi homi mais cristão do quiesse daí, minha gente! Fervoroso demais da conta, na igreja todo domingo e às veis na segunda e na quarta!... – Foi assim que começou o prefeito.
- E tem mais, meu povo!... Esse homi sempre foi pai bão, inzenplar... Óia os fio dele, tudo gordim, barrigudim e na iscola!... – Assim continuava o prefeito enquanto os dois mais velhos, dos oito filhos, do defunto, se cutucavam e riam amarelo ante a aproximação da fama.
- E óia inleitores!... Era marido dos bão tamém, de primera!... Co’a muié tava sempre cumprino a obrigação, prontim sempre que egigido... Era home fiel, chegava in casa na hora certa... Num tinha nada de bebê e ficá nas farra até o sol aparecê!... – Foi assim que terminou o prefeito porque a Deusdalina, a viúva, não aguentou mais ficar calada.
- Padre Anacleto, péra, péra, péra!... Discurpe atrapaiá, já atrapaiano!... Quero abri o caxão. Num pode sê. Esse daí que o prefeito tá falano num pode sê meu marido Arceu... Nunquinha, sô!
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