17/01/2013

ENGRAXATE NO RESTAURANTE




Restaurante grã fino, da mais mió qualidade foi o que o Vadico resolveu enfrentar no dia que chegou a Sumpaulo. Saíra de Tabuí, com uns troquinhos no bolso, pra conhecer mundo e ao chegar à capital paulista resolveu: “hoje vô tirá a barriga da miséria, ah, se vô!”... Mas o restaurante era chique demais da conta e o nosso personagem, quando viu que exagerara na escolha, já tava dentro. Mas dentro ficou. Deu até suadeira enquanto esperava discretamente a chegada de um cliente que passou por ele sem dar bom dia ou boa tarde. “Nem lê direito eu sei... Vô ficá atrás desse formigão engravatado e tudo o que ele fizé eu faço... O que ele pidi eu pido... Aí ninguém vai ri de mim, uai!”
Vadico ficou logo na mesa ao lado do recém-chegado, pronto para ver e ouvir tudo o que acontecia com o vizinho.
- Garçon, por favor, um aperitivo e a carta de vinhos! – pediu o engravatado.
- Pra mim tamém! – pediu Vadico, na dúvida se teria mesmo que escrever uma carta para alguém...
Quando o colega pediu seu vinho enquanto ia tomando o aperitivo, Vadico chamou o garçon e disse:
- O mezz pra mim tamém!
E todos os pedidos feitos pelo engravatado eram repetidos pelo Vadico. Susto e dificuldade quando chegou a lagosta enorme à mesa. Deu vontade de ir embora, por não saber se virar com aquele bicho. Até o charuto – naquele tempo podia-se fumar em restaurantes - só que nosso herói não teve coragem de acender o trem não e ficou apenas na degustação de um saboroso licor de laranja. Ao final do almoço, o engravatado viu que os seus sapatos não estavam bem limpos e pediu ao garçon:
- Agora, pra finalizar, quero um engraxate!
- Pra mim tamém, ô garção!
Nessa hora o cidadão não aguentou e jogou conversa pra cima do Vadico.
- Mas o senhor não acha que um engraxate não seria suficiente pra nós dois, moço?
- Não! Nada disso, vizinho! Tem que sê dois. Um pra mim e oto pro sinhô! Eu como um e o sinhô come o outro, uai!
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