
Memê,
encolhidinho e atento à tela, sentia-se na glória por estar na capital, vendo
filme que ninguém de Tabuí vira... Seria motivo de assunto por muito tempo.
Na cena, o
bandido entrara no banheiro, perseguido por um monte de policiais que gritavam:
- Abra a la
puerta! Abra a la puerta!...
Como ele não
abria la puerta, os meganhas arrombam tudo e prendem o homem que, no final,
viu-se que não era bandido e sim o pai da donzela que fora seviciada e
assassinada. Choro e mais choro, ao fim do filme. Memê não deixou por menos. Na
ida pra Tabuí não podia lembrar do filme que chorava amargurado, de tanta
tristeza.
Mas qual não
foi a surpresa do Memê quando, ao chegar a Tabuí, o filme faroeste seria
apresentado lá também. O candidato a prefeito, muito bonzinho, resolvera trazer
a atração mundial para a cidade e prometia inserir Tabuí no rol das cidades
mais cultas do mundo. No dia da apresentação o cineminha de Tabuí não cabia
mais gente e Memê, logicamente, foi dos primeiros a chegar e achar assento, mas
muito chateado por não ser mais o único cidadão a ter assistido ao filme. No momento da cena mais dramática, quando a
polícia está gritando “Abra a la puerta! Abra a la puerta!...”, Memê não
resistiu. No meio do silêncio geral, ele grita a plenos pulmões:
A gargalhada
foi geral e até bem poucos dias o lanterninha do cinema tava procurando o Memê
para dar-lhe uma coça.
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