29/01/2013

A BRIGA PELO SACO DE ROUPA SUJA




Chico Imbira largou Belzonte caquele movimentão todo e foi morar em Tabuí. Cidade tranquila, sem aqueles prediões e aquela carraiada, com muita gente na roça, era lugar bom pra montar um comerciozinho de tudo. Na verdade, ele nem precisava de comércio para viver. Aquilo era só passatempo, já que enviuvou cedo e não tinha filhos.
O maior problema do Chico Imbira era arrumar alguém que lhe cuidasse bem das roupas. Exigente. Tinham que ser bem lavadas e extremamente bem passadas. Foi aí que apareceu a Josefina, lavadeira calejada e caprichosa no ofício. Cobrava por peças. O comerciante regateou, pechinchou, mas não teve jeito. Se queria o negócio bem feito, tinha que se sujeitar às condições da dona Josefina.
Imbira juntava durante a semana a roupa suja e todas as peças colocadas dentro de um saco. E cobradas por peça, menos a lavagem dos saco, brinde da Josefina. Foi a única parte do acordo em que ela cedeu.
Mas, eis que num belo dia, acontece um acidente. O ferro da dona Josefina escangalhou, ao cair no chão. E só o velho Chico é quem tinha ferro pra vender. Na hora da briga pelo preço, o ferro, no lugar de baratear, ficou foi mais caro. E briga pra cá, briga pra lá, apela daqui, apela dali, dona Josefina viu que o preço não baixava. Aí, irritada, soltou seu desabafo:
- Óia aqui, ó! Já que o ferro subiu, vô subi a ropa e desta veiz vai entrar até o saco, viu?!...

(Este causo foi enviado pela amiga Luzia Cruz, bambuiense que mora em Brasília).
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