04/05/2011

O difícil começo de quem vive à míngua

   Certo dia a Isailde, ainda com 17 anos e inexperiente, resolveu atender aos apelos do Sebastião, vulgo Sebá.
   - Ela vai liberá geral preu, Geraldo! É hoje que o porca torce o rabo, sô!
   Todo mundo sabia da taradice do Sebá pela Isailde. A bichinha não tinha sossego. Era convidada diariamente pra cama, pro mato, pra traz da casa, tudo para aliviar o sofrimento do Sebá. E ele insistindo. Mas como água mole em pedra dura tanto bate até que fura, Isailde cedeu.
   - Vai sê depois da reza, na moita de assa-pexe de intremeio com a igreja e o campo de futebor, quando todo mundo tivé ido simbora, Gerardo! Mais óia aqui, ó. Nada de ficá viagiano, heim?
   - Quequiéisso, sô! Pocontá comigo. Num óio e num conto pra ninguém!...
   Na hora do vamo vê, só a lua iluminando a moita de assa-peixe, tão lá os dois nos começos. Mas a moça resolveu pedir instruções pro namorado.
   - Óia, Sebá, num intendo do assunto de séquiço, diz oquecofaço, tá?
   Ele ficou orgulhoso de ser o primeiro a guiar Isailde pra vida.
   - Fica pricupada não, sá! Ó, primero cê levanta a saia!
   A menina, sem jeito pra caramba, fez o que lhe foi pedido.
   - Agora cê tira a carcinha! – disse ele excitadíssimo.
   - A não, Sebá! Tô cum veigonha! - O Sebá não agüentava mais de nervosismo e de impaciência...  
   Começa a tremer as pernas mas, ao dar uma olhada pro lado do campo de futebol, vê que o tempo fechou.
   - Corre, Zaíde! Poficá sem vergonha!... Agacha e mija digero. Eu vô caí fora, pois que o seu pai tá vino, pisano arto e com a pexeira na mão, sá! Ai, meu Deus, acode eu!!!...
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