13/08/2009

Esses estranhos homens

João Cólica morava no Pindura Saia e resolveu assistir comício na cidade cortando caminho pro outro lado do brejo, que ia dar na Perdição de Cima. De lá era um pulo até Tabuí. Ouvir o futuro prefeito e mais uns outros.

- Sempre aprendo umas coisinha cuesses home, uai!...

João foi. Tempo bom quando saiu de casa. Roupa branca e bem passada pra causar boa impressão, cabelo alisadinho, bigode bem penteado... Pouco antes de atravessar o brejo, vem a tribuzana de chuva trazendo enxurrada e lama pra mais de metro. Cavalo alazão teve que nadar no barro para chegar do outro lado do brejo, carregando o João Cólica que levantou as pernas, pondo os pés na cabeça do cavalo, para não sujar a roupinha. Nem bem passou o brejo, o cavalo foi ficando incomodado com lama pelo corpo, inclusive no rabo e começa a abanar o dito cujo, pondo em risco a calça branquinha do Cólica.

- Isso não, coração!

Mais que depressa o cavaleiro pega o rabo do companheiro com a mão direita e vai segurando o danado até chegar à cidade. Pára logo na casa da dona Magnésia Bisurada para pedir informação. Como eu dizia, segurando o rabo do cavalo:

- Ô dona, a sinhora sabe ondé o comíço?

- O quê? Ondé qui o sinhô come o quê? – responde perguntando distraída, a cidadã.

Assim que dona Magnésia analisa a situação e vê o homem segurando com firmeza o rabo do cavalo, completa rapidinho:

- Uai, sô, pode ser in quarqué lugá mas aqui na porta da minha casa não, pelamô de Deus!

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