20/05/2014

URUBU PELADO NÃO VOA EM BANDO

Cê já viu dessas fazendas antigas onde a sede está misturada com chiqueiro, curral, engenho, galinheiro e o diabo a quatro? Pois bem. Imagine uma fazenda assim, onde morava o Toinzim Pitiú com a Maria Canarana, muitos anos no costado de cada um. Lá, a visita para chegar à sala, tinha primeiro que passar pelo curral e para ir embora, mesma coisa.
Bem no meio do curral o Toinzim mandou fincar o tronco de aroeira. Qualquer animal que precisasse de um tratamento, de castração ou de um exame mais detalhado, era laçado e contido nesse tronco. Era nele também que quem chegava à fazenda a cavalo, amarrava o animal enquanto tomava um cafezinho ou filava uma boia da cozinha afamada da dona Canarana. E foi nesse esteio de aroeira que o gato Xodó aprendeu a encarapitar quando um dos cachorros da fazenda resolvia persegui-lo. Nesse caso, Xodó subia no tronco e ficava lá, se preciso fosse, o dia inteiro, até o cachorro desanimar e ir embora.
Mas numa certa manhã de tempo de frio, o tronco arrumou outra serventia. Apareceu um urubu meio perdido e, até que entendesse os rumos por onde andava, resolveu tirar um descanso em cima do tronco de aroeira. Enquanto descansava, abria as assas pra pegar os raios do sol da manhã e foi bem nessa hora que o cachorro resolveu implicar com o gato Xodó. E este, aonde foi subir pra fugir da perseguição? No tronco de aroeira, onde descansava o urubu. Só que o gato tava tão assustado que subiu num relâmpago e, no aperto, subiu no urubu também. Já o urubu, vendo que o negócio ali tava ficando esquisito, levantou voo com aquela coisa estranha em cima das suas costas. Bem que o gato queria pular daquele trem, mas a altura desaconselhava tamanha desventura. Solução do gato foi abrir um berreiro de fazer dó, miando feito doido, enquanto o urubu fazia voltas em torno da fazenda, querendo livrar-se da carga incômoda.
Foi aí que o urubu passou por cima do paiol, bem onde dona Maria Canarana tava descascando umas espigas de milho para os porcos. Olhou e viu aquela maçaroca danada passando por cima dela. Sem conseguir entender o acontecimento, preocupada, gritou pro Toinzim Pitiú:
- Ô, meu Deus! O mundo vai acabá hoje, Toinzim!... Causdiquê urubu já tá miano!... 

(Causo contado pelo amigo Divino Martins, de Itapuranga-GO)
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