21/04/2014

HABEMUS SEVERUS ARTHRITIS

     Em dia de pouco movimento no trem de ferro, ia ele, lentamente, como de costume, rumo a Tabuí, carregando uns minguados passageiros. Dentre eles, o padre que iria substituir o vigário, Padre Anacleto, nas suas férias. Ao lado do padre, absorto num jornal, com ares de intelectual, estava um bêbado que chegara cambaleante vindo do carro da frente. Assim que o padre avistou ao longe a cidade de Tabuí, o bêbado, educadamente, puxa conversa:

     - Sô padre! Suscristo!... Com licença!... Hic! Sabe o sinhô o que provoca – hic! - essa tar de artrite que fala aqui no jornali?
     Padre novo, descansado, conversador, ao notar o bafo espantante e represado saindo das entranhas do bebum, resolve dar-lhe uma sutil lição, mesmo sendo redundante:
     - Ah, meu amigo, artrite é doença perigosa... Sabe como ela chega? Pela vida cheia de pecados de alguns, com promiscuidade, sexo desregrado, muito fumo, farras intermináveis, parceiras sexuais variadas e, principalmente, consumo excessivo de bebidas alcoólicas...
     - O bêbado olhou pro padre com olhos arregalados, como quem estivesse duvidando. Abaixou a cabeça e continuou a ler o jornal.
     O padre, por sua vez, achando que tinha pego muito pesado com o bêbado, para não deixar má impressão, resolveu dar uma amaciada e foi a vez dele puxar conversa:
     - Há quanto tempo o senhor tem artrite?
     - Eu, sô padre? Deus – hic! - me livre! Dominus vobiscum!...Tenho não!... Hic!... Aqui no jornali tá dizeno que quem tem é o papa!... Hic!

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