03/02/2013

TETO SUJO





Naquele dia nada deu certo pro Catoco. Foi lá pro sítio e o pneu do jipe furou, a cria da vaca holandesa nasceu morta, as formigas deram na lavoura de amendoim, choveu demais da conta e a enchente invadiu o chiqueiro e afogou uns quatro ou cinco porcos... Não, o Catoco tava num dia sem sorte, cagado de arara. Chamou a mulher pra voltar pra cidade, assim bem de tardezinha e, logicamente, odiando tudo. Entraram no jipe e nem bem saíram na estrada, o jipe atolou. E olha que não é qualquer atoleiro que segura um jipe não, heim!?... Mas o do Catoco tinha desconto, já tava muito mal das rodas. Deve ser por isso.
- Muié, vamo tê qui vortá po sítio. Bamo durmi lá! É o recurso...
E voltaram. No escuro, sem lanterna e atolando na lama. Catoco tava tão puto da vida que vinha chutando tudo quanto é barranco e renegando a própria sombra, mesmo no escuro. A mulher, calada, com receio de levar pito do marido. Chegam à casa do sítio, acendem umas velas, e vão logo pra cama, sem nem trocarem um a. Quando a energia elétrica chegou o Catoco ainda tava com raiva e a mulher, sem sono, olhava pro teto com manchas de mofo. Pra arrumar assunto e sondar a barra, perguntou ao marido:
- Ô sô! Cê num acha qui picisa dá uma pintada no teto?
E ele, ainda p da vida, indignado com a ideia sem pé nem cabeça da mulher, responde na bucha:
- Causdiquê qui tenho que dá pintada nele? Pur acaso cê vai dá uma coisada na parede?
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