06/01/2013

O GALO SUICIDADO



 O Tatu era conhecido em Carmo do Rio Claro por duas grandes qualidades. Além de ser um bom jogador do time de futebol do Colégio Montfort, era o maior ladrão de galinhas da cidade, atividade exercida por boa parte da mocidade daquela época, simplesmente pelo prazer da farra.
A cidade sempre foi uma comarca de 1ª Instância, aonde os juízes começam a carreira, antes de ascender a instâncias superiores, indo para cidades maiores. Um desses magistrados tinha como diversão criar galinhas. Um belo dia, ao conferir o plantel de seu galinheiro, deu por falta de algumas penosas. Tendo se informado sobre quem poderia ter cometido tão grave delito, intimou o Tatu a comparecer ao fórum para prestar depoimento e, talvez, confessar o roubo. Como nessa ocasião era inocente, o Tatu negou veementemente ter cometido ou ter participado do crime. Não convencido da inocência do depoente, o juiz pressionou mais ainda, até o ponto em que o Tatu, um tanto quanto indignado, declarou:
- Doutor, se eu tivesse entrado no seu galinheiro não teria ficado nem uma galinha para contar a história. E, a partir de agora, cuide bem das suas galinhas, pois elas podem sumir de repente!...
Passados alguns dias, ao se dirigir ao galinheiro de manhã para tratar de suas galinhas, o juiz foi surpreendido por um panorama avassalador. O recinto, sem nenhum sinal de arrombamento, estava totalmente vazio e, dependurado num caibro do galinheiro, jazia um pobre galo enforcado, com um bilhete amarrado ao pescoço, onde estava escrito:
“Resolvi suicidar-me, desiludido por ter sido abandonado.”

(Este causo me foi contado pelo amigo Joaquim Silva Junior, de Carmo do Rio Claro-MG)
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