17/12/2012

PALESTRA CASEIRA


Em plena madrugada o homem vai, cantarolando e meio cambaleante, por uma das duas ou três ruas escuras de Tabuí. Aí aparece, apressado e sonolento, o padre Anacleto, que fora dar a extrema unção a um fiel, lá do Lavapés, e resolve puxar conversa para saber quem era o paroquiano na rua, a essa hora.
- Onde vai o senhor, seu moço?
- Oi, padre!... Tô ino pruma palestra!
Padre Anacleto, ante a surpresa de ser reconhecido e não reconhecendo o cidadão – que notou estar bêbado -, fica mais surpreso ainda pela notícia de uma palestra de madrugada, na sua paróquia. Meio chateado por ter puxado conversa com um bebum, mas curioso pelo assunto, pergunta, com seu sotaque de italiano:
- Mas, palestra? Que palestra a esta hora? Porcamiseria!...
- É sobre arco e droga e fumo e os trem runho que esses trem causa no corpo da gente, padre... Com a ispricação compreta de cumé que fica o bucho, os miolo e as entranha da gente... Aí vem de lambuja conversê sobre esbórnia, farra e traição de marido sem vergonha... e tamém os efeito negativo no sistema nervoso provocado pela vida desregrada, uai!... E, de sobremesa, a farta de Deus no coração da gente... É de chorá, padre!...
 Sô vigário tava até emocionado ao imaginar uma palestra científica de tanta abrangência e relevância na sua humilde paróquia.
- E quem vai fazer a palestra, amico mio?
           - Sabe onquié, padre? Vai sê niquieu chegá em casa nesse estado e quem faiz a palestra é minha muié!...

(Enviado pelo amigo Joaquim Silva Junior, de Carmo do Rio Claro-MG)
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