22/12/2012

MANDIOCA COM CAQUI



     O Alfredão ia pela rua a fora, desanimado, oferecendo mandioca. Cidade pequena, freguesia parca. Difícil achar quem quisesse mandioca àquela hora.
     - Óia a mandioca!... Óia a mandioca!...
     Foi aí apareceu lá no começo da rua uma concorrente, gritando a plenos pulmões, oferecendo uma fruta desconhecida da turma de Tabuí.
     - Óia o caqui! Óia o caqui canela! Muito mais gostoso que bringela!... Era a Joaninha, fazendo poesia com o seu produto. Aquela gritaria mexeu com os brios do Alfredão, que não gostou da concorrência e resolveu sofisticar.
     - Óia a mandioca!... Mandioca boa, grande e gostosa!... Baratinha!...
     O tom da propaganda foi subindo e tava virando briga. A coisa só teve um fim quando a gritaria chegou aos ouvidos do Padre Anacleto que veio, bravo, ver o sucedimento. Foi na hora em que a Joaninha gritava com voz fina e tentando rimar, pra cidade toda ouvir:
      - Que mandioca o quê! É caqui! Só caqui! Só caqui canela, Afredão! Só caqui quié bão!...

(Baseado em relato enviado por José Sallum, de Caxambu-MG)
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