03/08/10

O CASO DA SAIA FLORIDA

     Lá no Tabuí, nos tempos de antigamente, morava Manuel Novato. Comerciava miudezas e outros trens. Recebeu o apelido de "Novato" por ser português. Naquele tempo era mania chamar os imigrantes lusos por esse apelido pelo interior a fora.
     Acontece que alguém adquirira na loja do Manuel Novato uma saia florida e mandou botar na conta. Só que, com tanto freguês para atender e tanta coisa a fazer, o patrício esqueceu-se do nome de quem tinha comprado a danada da saia florida. Desfilou a população do Tabuí na cabeça e não tinha como se lembrar.
     - No prejuízo não hei de ficaire, pois, pois!
     Depois de muito matutar, e como preocupação só não recebe dívida, bolou um plano. Lançou em todas as contas – pra mais de cem - a despesa da saia florida. Foi um chororô danado. Reclamações de todas as partes, a toda hora.
     - Mas, seu Novato, que diabo de saia florida é essa na minha conta? – indagava nervoso o padre Anacleto, que gostava mesmo era de uma batina.
     - Uai, portuga! Num comprei nenhuma saia frorida! Eu, heim!!!... – recriminava gaguejando o Cirino, já bêbado.
     - Acho que o senhor confundiu as contas. Esse diacho dessa saia florida!...
     -Tá me achano com cara de usá saia frorida, sô Novato? - Indagava o Antão, do alto dos seus setenta anos no costado.
     Cada um reclamava à sua maneira. Uns brigando, outros xingando, outros com humildade. E o portuga falando com seus botões:
     - No prejuízo não hei de ficaire, opá!
     Para não desagradar aos fregueses, ele sempre apresentava uma desculpa e acrescentava, após apagar a anotação na conta do freguês:
     - Queira me perdoaire, opá!
     No final das contas, como o Manuel Novato esperava, sobrou uma freguesa – dona Marília do Chiquito - que não reclamou e pagou a saia florida, livrando o português de um prejuízo quase certo.
     - Pois, pois, uai... Num falei?!!... Opá!...


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