03/02/2009

Documento trocado

Cirino tinha a fama de ser o maior pé inchado de Tabuí. Bebia para esquecer que bebia. Mas, como era um bom papo, fazia muitos amigos nas suas noites de bebedeira. Dizem que a dupla Cirino e Aruerinha foi a mais famosa na história boêmia da cidade. Os dois conversavam e bebiam muito, cantavam bem e até arranhavam um violão. Numa tarde de sábado, Cirino, como sabia que teria uma noite longa pela frente, passou no açougue Vaca Profana e comprou dois palmos de lingüiça e enfiou aquilo no bolso. Encontrou o Aruerinha e foram encher a cara. Naquela noite ajudaram a fechar vários botecos e biroscas.
Quando não tinham mais aonde ir, resolveram fazer serenata. Cantaram Acorda Amor na casa paroquial, o Hino Nacional na prefeitura, O Ébrio na casa do Pandiá e assim por diante. Chega certa hora, dá no Cirino uma vontade louca de verter água.
- Ô Aruerinha, hic! Segura aí o meu violão!
E Cirino encosta-se a um poste sem luz e faz os preparativos para o serviço. Só que – detalhe - o bolso, aquele onde ele tinha colocado a lingüiça, estava furado. E Cirino, no lugar de pegar o dito-cujo, pegou a lingüiça e se aliviou demoradamente. Mesmo tonto, notou que a calça ficara toda molhada. Solução foi chamar o amigo e falar com preocupação:
- Corre aqui, Aruerinha. Tem pobrema. Hic! Acho que meu saco tá furado!
Aruerinha colocou com dificuldade os dois violões no chão, acendeu com muito custo um isqueiro e foi examinar o documento de Cirino. Olhou, olhou e deu seu veredito, falando enrolado:
- Ó, Cirino, hic, hic! Negoço é que tem uma paia amarrada na ponta dele. Como ocê forçô muito pra uriná, a urina vortô e derramô pelo ladrão. Acho que num tem gravidade não, hic! Ele só tá é muito vermeio!...
Hic, hic!!!
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