30/07/2008

Quem é mais doido?


Zé Pelotinha era o moleque mais encapetado daquelas bandas. Azucrinava todo mundo. O pai, João Pelota, não agüentava mais ouvir as reclamações da vizinhama. Já tinha feito até umas crueldades com o menino, mas de nada adiantara.
Num certo dia o moleque passou dos limites. Amarrou palha de milho no rabo do gato e botou fogo. Aí o velho Pelota não agüentou. Perdeu a estribeira. Ainda mais que o gato, no seu desespero, saiu correndo feito doido e lascou fogo no pasto sequinho do Tonico Cota. O vizinho, logicamente, veio reclamar cheio de razão. Foi a gota d' água.
João Pelota pegou o Pelotinha pela orelha e foi levando-o meio no arrasto para o terreiro a fim de fazer a devida correção no moleque. Mas o danado do menino, num bote só, escapa da mão do pai e trepa no ingazeiro, mais esperto que gato. Pelota não perdeu tempo. Pegou um machado e em dois tempos derrubou a árvore. Menino acompanhou a árvore no tombo e, já no chão, se mandou numa correria desenfreada, enquanto o pai atirava-lhe umas pedradas doídas.
Tempos depois João Pelota e a Pelotada toda vai à cidade para as cerimônias da Semana Santa. Dias de muita reza, muita devoção e arrependimento dos pecados. Foi aí que o Pelotinha resolveu, com medo do diabo e dos infernos, fazer uma confissãozinha. Contou ao padre o que tinha feito com o pobre do gato, as conseqüências da sua arte e até as pedradas que recebeu do pai.
O padre Anacleto, achando graça na história e não tendo muito o que falar, saiu-se com esta:
- Porcamiseria!!! Você é doido, meu filho! Desobedecer a seu próprio pai!...
Ao que o Pelotinha respondeu perguntando:
- Uai, padre! Mas quem é mais doido, o que joga a pedra ou que corre de medo dela?
- Claro, figlio mio, que é quem joga a pedra!
E o moleque concluiu sabiamente:
- Então meu pai é mais doido que eu!...
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