06/07/2008

O Assassinato do Pato do Padre Anacleto


Cirilo e Bentinho, talvez pelo fato de serem os únicos fanhos de Tabuí, resolveram juntar forças. Aonde um ia, lá estava o outro, feito sombra. Na saúde e na doença. E na gandaia. Em noites de seresta, quando, ao cantar, fanho não fanha, iam molhando o bico até que, dia amanhecendo, os dois eram, vez ou outra, encontrados, de cueca, na porta da igreja, fazendo discurso pras beatas que chegavam pra missa das seis ou, ironia, contando piadas de gago.
Até que, numa noite, lá pelas tantas, resolvem dar outro rumo na seresta. E Cirilo falou, na língua de fanho:
- Bentinho, tô cum fome, sô!
- Ih, rapaz! Nem me fale! Eu tamém!... Num tô mais guentano!
Mas o que comer sem dinheiro e naquela hora da madrugada?
- Só tem uma solução, Cirilo! Farinha eu já tenho lá em casa! Vamo roubá um pato do padre Anacleto e fazê uma sopa!...
-Mas, rapaz, e cumé que a gente pula aquele muro daquela artura?
- A gente dá um jeito, uai!
E lá foram. Rodearam a igreja até chegarem aos fundos da casa paroquial, longe da rua e de olhares indiscretos. Padre Anacleto, famoso criador de patos, já, há muito, se prevenira contra eventuais surrupiadores dos seus penosos. Fizera muro de mais de dois metros de altura.
- Bentinho, cê é mais magro, cê pula! Eu faço cadeirinha com as duas mão pra te jogá do outro lado!...
Bentinho, doido pra enfiar uma sopa de pato goela abaixo, nem desconversou. Aceitou a missão. Cirilo juntou as mãos cruzadas na altura da virilha e Bentinho colocou ali o pé direito. Tudo repentino. De um golpe do Cirilo, Bentinho voou por cima do muro e caiu sentado bem em cima de um pobre pato que, inocentemente, dormia, no seu canto, o sono da madrugada. O bichinho, antes do esmagamento, apenas teve tempo de gritar quac!!!...
O Cirilo, com o ouvido pregado no muro, para ouvir os movimentos do outro lado, entendeu errado. Pensando que era o amigo fanho querendo saber qual pato pegar, respondeu nervoso, mais fanhoso ainda:
- Quarqué um, sô! Vai virá sopa mesmo! E é ocê que tá veno aí, num sô ieu!... Iscói quarqué um e vãombora, sô!...

7 comentários:

Blog do Beagle disse...

Eurico, na cidade em que nasci e meu Pai foi delegado de polícia os jovens roupavam perus e depois, faziam a ceia e convidavam o dono para a festança... Bjkª. Elza

New disse...

Oiêee!
como sempre os causos são demais.
Beijocas e boa semana.

*tem mimo prá vc lá em casa, ok?
http://esturdio.blogspot.com/2008/07/esse.html#links

Jaqueline Amorim disse...

Nossa!!! kkkkkk. Adoro ler seus causos!!! Beijos meu amigo! :D

Eurico de Andrade disse...

JAqueline, e eu adoro visitar e Superdicasss. Vai ter coisa boa assim pra gente aprender, gente! Não sei onde vc desencrava tanto ensinamento!

Eurico de Andrade disse...

New! Para leitores legais, causos legais. É assim, quando baixa o santo, a gente enfeita, inventa e faz de tudo pra história ficar bem feita. E há quem reconhece isto, né memo? Brigadim, viu?

Eurico de Andrade disse...

Elza,
Esse fato tb acontece nas adjacências de Tabuí, sá! O dono nem tá sonhando que a galinha da galinhada estava gorica mesmo trepada no puleiro do seu quintal...

Anônimo disse...

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