01/07/2008

Novidade que chega no sertão...

Aparício ganhou uma cabra. Novinha ainda. E a bichinha foi crescendo, comendo, do bom e do melhor, do que sobrava de comida do Hotel Familiar. Resto de frango frito, maionese, macarronada, couve e tutu com torresmo... Cabrinha não perdoava nada. Traçava tudo. Menos capim, porque capim ela nem via. De vez em quando lá ia o Aparício e sua cabra rua a fora para um passeio, assim como as madames fazem com seus cãezinhos perfumosos. Mas coisa inocente, sem malícias. De jeito nenhum Aparício tinha más intenções com sua cabra e a recíproca devia ser verdadeira. Amanda era o nome dela.
- Paríço, pruquê ocê não dá capim pr'essa cabra?
- Não. Quero caçá moda não, sô! Capim é muito dificultoso aqui na cidade. Quero acostumá a bichinha malacostumada não.
E toca-lhe frango frito, maionese, macarronada, couve e tutu com torresmo...
Num certo dia aparece em Tabuí um caminhão do governo. Carregadinho de fardos de capim pangola, ainda verdolengo, para ser distribuído aos fazendeiros. Novidade na região. Quem aprovasse ganhava sementes do dito cujo. Aparício resolveu fazer a cabrinha provar do capim. E Amanda não se fez de rogada. Botou pra quebrar. Comeu um fardo inteirinho da novidade. Mas teve uma reação estranha para sua mansidão cabral tão conhecida. Começou a pular e a berrar que ninguém segurava a danadinha. Nem seu dono, com todo o carinho do mundo, acariciando-a até nos cantinhos mais indiscretos, conseguia acalmar a bichinha.
- Dá água prela, Paríço! Água ajuda. Água relaxa...
E trouxe o Aparício um balde com dez litros d'água que Amanda sorveu duma golada só. Depois de muito pulo e berro a danadinha ficou mais calma e, embora com a barrigona grande, deixou o pessoal passar a noite no sossego. Mas tristeza maior do Aparício não tinha acontecido ainda. Aconteceu de manhãzinha. Amiguinha não mais acordou. Morreu empanzinada. Estourada de tantos gases provocados pela desgraça da novidade chamada capim pangola.
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