
Esta é bem fresquinha. Acabou de acontecer. Romualdo era da turma lá do
Tauá, um vilarejo bem nos confins de Tabuí, de onde o pessoal vinha pra vender
sua produção e ganhar uns trocados. Como todo mundo de Tauá, Romualdo tinha a
cara de bobo, mas bobo ele era nada. Só conversa mole. Aí ele passava pela rua
gritando:
- Ói o ovo! Ói o ovo bão! Ói o ovo bão e fresquinho!...
Aquela conversa mole batia no coração das donas de casa tabuienses e ele
vendia ovo feito água. Foi dona Clarice quem saiu à porta:
- Mas esses ovos tão mesmo fresquinhos, moço?
- Tão, moça! Fresquinho mezzz!
- Quanto tá a dúzia?
- É dois real, dona! Só pruquê é pra sinhora!
A falsidade não convenceu dona Clarice. O que a convenceu foi o preço da
dúzia dos ovos, menos da metade do preço do mercado. Ela pensou “ele deve ser
meio bobo, coitado”. E comprou. Duas dúzias.
Depois de uns dois ou três dias, tá o Romualdo passando de novo pela
rua. E tá lá dona Clarice esperando indignada “esse ordinário, filho de uma
rapariga que vai me pagar!”...
- Olha aqui, seu filho da mãe! Você não disse que os ovos tavam
fresquinhos? Das duas dúzias que comprei só um estava bom. O resto joguei fora!
Foram todos pro lixo!
Romualdo nem se assustou. Com a mesma voz mansa e mole, respondeu:

Dona Clarice foi pra cima do Romualdo que, saindo de fininho, dizia:
- Carma, dona!... Carma!...
(Este causo foi enviado por M.T. Sallum, de Caxambu-MG)
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