03/08/2012

O "Cumunista"


                   
Caso verídico ocorrido nos Cariris Velhos-PB, que foi repassado pelo historiador Hermano Nepomuceno, e repasso para o deleite dos senhores.
       Assim que a revolução triunfou, chegou à pacata cidade de Junco do Seridó o seguinte telegrama, enviado pelo general vitorioso, ao Cabo Muriçoca, delegado do lugar: "Prenda todos os comunistas em nome do Exército Nacional".
Orgulhoso e ancho por tamanha distinção, o cabo reuniu a tropa, exibiu o telegrama como um troféu, leu os seus dizeres e passou a indagar:
       - Alguém aí sabe o que é "cumunista"?
Silêncio na plateia. Até que apareceu um soldado sarará, do beiço rachado, um olho aberto e o outro fechado, para sugerir: - Seu cabo, na minha opinião, "cumunista" é cabra que come fiofó.
Aí o delegado, com jeito de quem descobriu o Brasil, ordenou: 
- Se é assim, vamos invadir o cabaré de Maria Priquitinha e prender todo indivíduo que estiver comendo fiofó.
Dito e feito. Chegaram logo quebrando as portas, invadindo os quartos, pegando os casais no bem bom. Já tinham invadindo cinco quartos, quando no sexto encontraram um sujeito enrabando a quenga "Joinha". 
O delegado não pestanejou: 
-Teje preso seu "cumunista" safado, em nome do Exército Nacioná.
      O pobre homem ficou logo de pimba mole, suando por todos os buracos, enquanto balbuciava:
      - Mas seu delegado, eu não fiz nada...
      - Fez, seu subversivo. Você tava cumendo um fiofó e quem come fiofó é  cumunista, esbravejou Muriçoca.
      Ao pobre "cumunista" só restou uma explicação derradeira:
      - Seu delegado, juro por minha mãe que está no céu: esta é a primeira vez que eu como um fiofozinho. O que eu sou mesmo, o senhor pode acreditar, é bulcetista.
                                                                                                                              
(Este causo não é meu e nem aconteceu em Tabuí. Foi retirado do blog de Carlos Escóssia, de Mossoró-RN. É tão bom que não pude deixar de replicá-lo aqui) 


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