13/11/2011

Frango de pescoço dobrado

Naquela noite Cirino e Bentinho não agüentavam mais a vontade de tomar umas e outras. Antes de chegarem ao boteco, resolvem que tão com fome e passam na venda da Carorina para comprar frango frito com farofa. Carorina corta o frango bem cortadinho, põe a farinha em cima, bota tudo numa travessa de plástico e os dois se mandam pra noite.
- Ô Bentinho, bora ali no Copo Sujo tomá uma daquesde lambique, vamo!
- Ó sô, inhantes vamo escondê o frango pra mode a gente num ficá sem ele, né memo? Tá cheio de bebum aí, doidos por um tira-gosto...
Botaram o frango no meio da moita de assa-peixe, ao lado do Bar Santo Antonio, apelidado de Copo Sujo e começam a labuta da noite. Bebem uma, duas...
Nessa hora, mais de dez da noite, passa pela moita de assa-peixe o Everaldo, mais tonto que gambá depois da briga. E com vontade de aliviar a barriga, já com atraso de dias, - desde que chupara três litros de jabuticaba -, pois que tinha prisão de ventre, deixa lá, em cima do frango, a sua lembrança.
Cirilo e Bentinho, pela quinta, sexta ou décima dose da noite, bem mais pra lá do que pra cá, com fome, acertam a conta, doidos pra comerem o franguim assado. Voltam à moita de assa-peixe e começam a destroçar o comestível.
- Ô Cirino, cê comprô mais de um frango, home?
- Ieu?...  Ieu não, uai!... Só um!

- Hum! Hum! Foi mais. Ó, só de pescoço já comi uns treis, e tudo cumprido!
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