31/07/2009

Entrou pra crente e não avisou

Ninguém conhecia o José Vicente por este nome. Era só Izé. Pra cá e pra lá, o Izé era motorista da prefeitura e, de vez em quando, já que ele dirigira caminhão boiadeiro, era o único com condições de levar o prefeito à capital e andar naquele trânsito dos infernos.
Um dia foram os dois, Izé e prefeito, pra Belzonte na rural da prefeitura. Época de chuva, muito atoleiro, chegam já na hora do almoço.
- Me deixa ali na casa do compadre Bilico, Izé! Vou almoçar lá, enquanto cê come um trem por aí. Em uma hora cê me busca, tá bão?
Izé resolve comer uns pães de queijo por ali mesmo, pois que a casa do Bilico era perto da rodoviária, deixando a rural estacionada na frente da casa do compadre do prefeito.
Depois de uma hora tá o Izé de volta, do jeitinho que o prefeito mandara e bate na porta, sendo atendido pela Bilica, mulher do Bilico.
- Ele num tá aqui mais não. Saiu com o Bilico. Foro’os dois pr’Assembléia!
O Izé, sem nem pensar, tasca um palavrão desrespeitoso na cara da comadre do prefeito:
- Esse prefeito é memo fedaputa! Nem me disse que tinha virado crente!
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