06/04/2009

Nos braços de Morfeu

Este causo aconteceu foi mesmo em Tabuí, ali na pensão da Vitalina, a única da cidade. Um vendedor, homem experiente da vida, mas, com muito sono atrasado, foi lá e a espelunca não tinha quarto vago.
- Dá um jeito, por favor, dona Vitalina, eu preciso dormir. Me arrume nem que seja uma cama, sá!

Vitalina pensa, pensa e, querendo ganhar uns mirréis a mais, responde:

- Óia... Tenho um quarto com duas cama. Interessa? E lá tá hospedado um sujeito que me disse que gostaria de rachar as despesas com alguém. Só que tem que ele ronca demais da conta. Tanto, que os vizinhos já fizero recramação dizendo que não conseguem dormir.

- Nenhum problema. Fico com o quarto, dona Vitalina! Eu quero dormir!

        Ela leva o viajante pro quarto, acorda o roncador, apresenta-os um ao outro e eles vão dormir. 

No dia seguinte, o vendedor chega ao refeitório para tomar café e, contrariando as expectativas, está bem disposto, alegre e assobiando “encoste tua cabecinha no meu ombro e chora!...”. Vitalina, morta de curiosidade, pergunta:
- E aí, deu pra dormi?
- Dei nada, dona Vitalina! Dormi assim mesmo! Aliás, dormi foi demais da conta, sá!
- Mas os roncos do homem num atrapaiaro?
- Nada! Ele não roncou nem um minuto. Nadica de nada!
- Nepussive, sô! Quecocefez?
- Bom, foi simples, uai! O sujeito já dormia, mal entrei no quarto. Aí, a primeira coisa que fiz foi me aproximar da cama dele e beijar sua bunda dizendo: - "Boa noite, coisinha linda"... O sujeito passou a noite acordado, desconfiado, sentado na cama e me olhando assustado com o rabo do olho...


(Este causo foi, com a devida autorização, surrupiado e adaptado dohttp://loucurasedevaneios.blogspot.com/ )

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