04/05/2008

Historinha do Zebedeu

Zebedeu, aos trancos e barrancos, lutando com a pobreza da vida, chegou aos dezoito anos. Penugens esparramando pelo rosto, voz de taquara rachada, muque crescendo e vontade de mulher arrebitando as calças. Idade da responsabilidade e hora de decidir o que fazer da vida. Sonho de ser cantador de moda caipira era segredo bem guardado no coração. Revelava a ninguém. Ririam na sua cara. Afinal, nem um pandeirinho sabia tocar e quando aventurava uma cantigazinha era mais desafinado que filhote de urubu em dia de inspiração. Negócio era ir empurrando com a barriga. Até que apareceu a chance de servir ao glorioso Exército Brasileiro.
Pai falou:
- Vai, fio. É profissão boa. Ingaja lá c'os home qui'ocê pode virá dipressa arguém na vida. Demora poco cê vira cabo, sargento...
- Mas, pai, eu tô quereno istudá!...
- É mais mió cê tê profissão primero, fio! Istuda depois qui'ocê tivé dinherinho no borso!
Zebedeu craniou, craniou... Sonhou com a farda verdinha... Aquele montão de medalhas no peito... Carrinho novo... Mulherada dando sopa... Decidiu ir. Seja o que Deus quiser. Na véspera tirou um sarrinho com a namoradinha banguela. Lambuzou a moça toda de beijos, juntou umas roupinhas numa caixa de papelão, largou Tabuí e se mandou pra Divinópolis virar soldado.
Primeiro dia de engajamento, sargento Pedro, vulgo Pedrão ou Besta Quadrada, coloca todo mundo perfilado e pede que cada recruta dê um passo à frente e se apresente, com voz bem forte, dizendo nome, terra de origem e profissão. O sargento, embora burro, era milico organizado. Anotava tudo no livrinho verde.
- Marcolino dos Santos, de Santana dos Brejos, datilógrafo!
- Manuel Procópio de Jesus, de Uruburetama, roceiro... Aliás, discurpe Sargento! Lavradô...
- Almir S. Pinto, o Mi, de Alpercatas, mais conhecida como Precata! Sou estudante, sargento Pedrão!
O sargento ficou meio sem graça ao descobrir que seu apelido já era conhecido da nova turma e como não gostou da desenvoltura do recruta, resolve dar o troco:
- Esse S. aí do seu nome, por um acaso quer dizer "Sem"? E olha, senhor Almir, estudante não é profissão!
O rapaz, todo respeitoso, cheio de medo e envergonhamento, consegue dizer:
- Tá bão sô sargento! Discurpe ieu! Bota aí entregador de leite, leiteiro, se o senhor quisé, tá?! E o S. é S. de Silva, reverendo Pedrão!
- Seguinte!
- Esmeraldo de Jesus Cançado, de Pindura Saia! Pescador!
- Gerardo Tadeu, de Cráudio! Pedrero, sô sargento! Pedrero fazedô de casa!
- Ô lambisgóia! Gerardo Tadeu de quê?
- É Gerardo Tadeu só, sô sargento!
Sargento escreveu no livrinho: Gerardo Tadeu Só.
- Onofre Montesquieu da Silva, mais conhecido como Quézinho, do Morro do Tira Prosa, estudante!
- Já falei que estudante não é profissão! Berra o sargento com aquele vozeirão de trombone. Recrutada inexperiente até tremia nas bases a cada grito do sargento Pedrão.
- Sim excelência, desculpe! Digamos que sou ator...
- É cada doido que me aparece!... Seguinte! Cambada de palerma!
- Zebedeu Pancrácio Assunção, de Tabuí...
- E a profissão, seu burro!
Sargento, todo vermelhão, trepando nos tamancos, não estava para brincadeira. Zebedeu, como sabia que o sargento ia ficar fulo da vida se dissesse que era estudante, resolve não chamar as iras sargentais sobre seu costado.
- Siguinte, sargento, eu... Eu... Ajudo meu pai, sô sargento!...
- E o quê que seu pai faz, seu desgraçado?
- Ele?... Meu pai é... Bem ele... É ajudante de fiscal da Coletoria Municipal!... Aposentado, sô sargento!...

7 comentários:

Hago disse...

Acho que já lí no outro site.
De qq maneira foi um prazer ler de novo. Temos que arranjar mais leitores par o seu blog.
Abração

Anônimo disse...

Olá, Hago!
Vc deve ter lido este texto em algum outro site que não o meu. Tenho muitos textos espalhados pela Net. É por isso que os estou juntando agora no meu blog. Agradeceria se vc me ajudasse a "arranjar leitores" para o meu blog. Tarefa nem sempre fácil. Bem que estou tentando. Grande abraço.

Dalinha Catunda disse...

Olá Eurico,
Eu tenho meu blog e, escrevo para outros, quando alguém se interessa por algum texto meu eu deixo que publiquem desde que mantenha a autoria. Mas confesso que muitas vezes, quando publico em varios blogs, o mesmo texto, os comentários são prejudicados, pois quem comenta em um, não vai ao outro.
Estarei sempre passando por aqui.
Dalinha

Anônimo disse...

Dalinha, sua visita é sempre bem-vinda e seus comentários me são preciosos.

New disse...

Oîêee!
Tem mimo prá vc.
Bjs.

http://esturdio.blogspot.com/2008/04/astral.html#links

Eurico de Andrade disse...

New,
Muito obrigado pelo seu carinho. Vou guardar o mimo com todo o cuidado do mundo.

Anônimo disse...

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