Mostrando postagens com marcador elevador. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador elevador. Mostrar todas as postagens

06/06/2013

A MÁQUINA MILAGROSA

Gerardão sai lá de Tabuí para conhecer a capital junto com a mulher e mais dois filhos. Chegando a Belzonte, começam a passear pelo centro da cidade vendo aquela carraiada, os prédios grandes demais da conta, ruas entupidas de gente, muito vidro, muito poste e muita luz.
Numa certa hora Gerardão deixa a Zulmira descansando num banco de uma praça com o filho menor e sai apreciando mais coisas com o Zequinha, de 12 anos. Resolvem entrar num prédio pra conhecer o que tinha lá dentro daquele trem e ficam os dois espantados de ver tantas luzinhas piscando em volta de uma caixa grandona e queriam entender para que serviria aquilo. Era o elevador.
Enquanto tavam lá, embasbacados, chega uma velhinha loura manquitolando, com uma bengala.Entra na caixa e a porta se fecha atrás dela. Passam uns minutos a porta se abre e sai uma moça loira toda retumbante e, logicamente, sem bengala.
Gerardão não se conteve, deu uma piscadinha pro filho e, à boca pequena, falou:
- Zequinha, vai digero buscá sua mãe, fio!

21/03/2012

Experimentando novidades na cidade grande

     Manezim foi a Belzonte. Ficou encantado com a lonjura das ruas, a altura dos prédios e resolve ir ver como o povo da capital fazia para chegar lá em cima daqueles trens. Prestou bem atenção que, no começo do prédio, abriam-se umas caixas e entravam umas pessoas que sumiam e a caixa voltava com outras. Resolveu entrar numa também. Cheia de luzinhas. Observou que as pessoas estavam em silêncio, algumas olhando pro teto, outras pras paredes, outras com os braços cruzados... Assim que o motorista do negócio fecha a porta, começa o joguim:
     - Dois!
     - Oito!
     - Dez!
     - Seis!
     Manezim achou aquele trem bão demais da conta, resolve entrar no jogo e grita, animado:
     - Lona!
     O ascensorista chama-o na regulagem, perguntando:
     - Qualé o andar, moço?
     - Heim? Andar?
     - É. Pronde o senhor vai?
     - Pro doze!...
     Manezim chutou o número. O que queria mesmo era conhecer aquele negócio. Quando chegou lá no quinto, muito nervoso, suando frio, fedendo inhaca e com a barriga dando sinais estranhos, resolve que tá na hora de se distrair pra não passar mal.
     - Quanto é a passage, heim moço?
     - É nada não! A gente não cobramos não, uai!
     Como a viagem não custava nada, Manezim gostou do trem mais ainda.
     - Intão toca mais uns deiz, já que é de graça!
     Desceu no 22° andar – o último - e foi ver a paisagem, aquele mundão tão grande, tomando o cuidado de ficar longe da beirada do prédio pra não dar tonteira e cair. Depois de horas e horas distraído, naquele encantamento, Manezim resolve descer, pois que precisava pegar a jardineira pra Tabuí e só tinha meia hora de prazo. Ainda encantado, mas afobado, entra no elevador, doido pra chegar à rodoviária pra não perder a condução. De novo a mesma pergunta:
     - Qualé o andar, moço?
     - Heim?
     - Prondé que o senhor vai?
     - Ah! Prondé queu vô? Tá bão. Pois num é?... Toca pa rodoviara!