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06/02/2013

FUNCIONÁRIOS EFICIENTES





O chefe do posto de saúde da prefeitura de Tabuí chamou os dois funcionários da portaria e avisou:
- Não quero mulher grávida na fila. Elas têm prioridade no atendimento. É pré-natal. Entenderam?
- Entendido, chefe!...
Mas os dois funcionários, quando se viram a sós, começaram a bater papo. Conversa vai, conversa vem... Gente de tudo quanto é jeito, doente disso, doente daquilo... E a fila aumentando. Lá pelas tantas, no final da fila, entrou, até que enfim, uma mulher grávida. Mas os dois eficientes funcionários não a viram. E a conversa não acabava. Foi quando o chefe retornou da volta na rua. Aí os dois exemplares vigilantes lembram-se da ordem e dão uma corrida d’olhos na fila. Deparam com a barriguda. Ao mesmo tempo correm os dois pra ela, deixando-a assustada. E perguntam:
- É pré-natal?
- N-Não, moço!... É pa-pra otubre!... – gaguejou a grávida.

30/01/2013

MOTORISTA DISTRAÍDO





O motorista do único táxi de Tabuí – o Tonhão - ia firme, pela Rua do Comércio, sem a mínima preocupação com o trânsito, quando, de repente, mostra ao passageiro uma mulher bonita demais da conta que passava, saltitante e requebrante.
- Nossinhora, sô! Que trem bonito!...
O passageiro, um nanico magrelo, do cabelo arrepiado e banguela dos dois dentes da frente, sentado no banco de trás, no lugar de responder à altura, faz é gritar:
- Fêêêia!!!
- Feia nada, home de Deus! Óia só, até parece uma gazela com aquela platibanda requebrante!...
- Feia! Fêêêia!!!... Grita mais alto o moço.
- Cê tá doido, sô! Feia, nunca! Aquilo é uma princesa!
- Feia! Fêêêia!!! Fêêêiiiaiaiaa!... Gritou mais ainda o magrelo.
O Tonhão, como falei lá em cima, despreocupado com o trânsito, bateu no carro do prefeito, recentemente comprado com verba da prefeitura – como é comum pra tudo quanto é banda - bem na esquina da Rua do Assobio.  E ficou puto da vida com o passageiro nanico:
- Cê num viu quieu ia batê, ô trem? Causdiquê num me avisô?
- Araio!!! Eu ava itando: - feia... feia.... E ocê num feiô!. Ausdiquê é urdo é??? Zi udeu!...


(Reescrito. Da Internet)

29/05/2011

MALUCO TROCADO

      Lá na prefeitura, certa quadra, trabalhou o Miguel Generoso. Era o quebra-galho do prefeito. Fazia qualquer serviço bem feito e sem reclamar. Até o dia em que apareceu na cidade o Quequé, um doido ora carinhoso, ora violento. Suas atitudes malucas começaram a preocupar povinho de Tabuí. Prefeito foi pressionado a tocar Quequé da ciade. Mas pradonde?
     Após muita deliberação ficou resolvido que a prefeitura iria assumir os gastos de mandar Quequé para um hospital de doidos na capital. Miguel Generoso foi escalado para fazer o serviço. No dia marcado os dois embarcam no trem noturno. Miguel sempre de olho no Quequé, pronto a qualquer atitude suspeita. Um pouco antes de chegar à capital, o trem fica retido numa estaçãozinha por várias horas por causa de um troço lá pra frente. E a viagem que deveria ter demorado cinco horas retardou umas treze. Nesse tempo todo, enquanto Quequé dormia tranquilo, seu acompanhante não pregou o olho. Preocupado em cumprir bem sua tarefa, não queria correr o risco de deixar o doido fugir.
     Chegando a Belo Horizonte, o Miguel tava um bagaço. Pegaram um taxi e foram direto para o hospital. Lá, como sempre acontece em hospital público, foram atendidos de má vontade. Depois de muita encheção de saco, mandaram os dois entrarem numa sala grande e esperar. Sala cheia de gente de olhares estranhos e gestos esquisitos. Arrumaram um banco, sentaram e esperaram, esperaram...
     O Generoso não aguentou a tensão e o cansaço e dormiu sentado. Quequé, que tava na sua fase de doido carinhoso, caiu fora. Miguel acordou com um cutucão nas costas. Era um negão cheio de músculos:
     - Vai lá dá seu nome! É sua vez!
     Miguel, tonto de sono, nem se lembrou do Quequé. Foi lá no guichê e deu seus dados pessoais. Recobrou a razão quando ouviu do atendente uma ordem pra dois brutamontes que estavam atrás dele:
     - Tudo em ordem! Podem levar mais este!
     Quando Miguel quis refugar, os brutamontes o agarraram e o foram levando meio arrastado por um longo corredor.
     - Gente! Eu num sô doido! O doido é o outro!
     Quanto mais o Miguel esperneava e reclamava, mais era prensado contra a parede, seguro pelos cabelos e tinha os braços torcidos. Ele só resolveu parar de reclamar quando ouviu o negão brutamontes dizer pro outro:
     - Esse doido parece que é mais maluco que os outros. Só uma injeção daquelas de 20 centímetros cúbicos para dar um jeito nele!...
     Miguel foi jogado numa sala cheia de doidos e ficou esperando a hora de tomar a injeção prometida. Desesperado, preocupado, agoniado, sem saber como provar que não era doido. Até que, num certo momento, ele olha para um canto da sala e tava lá o Quequé sorrindo e dando tiau para ele. Nessa hora o Miguel ficou bravo. Pegou o Quequé pelo colarinho, deu uma boa esfrega nele e o obrigou a contar quem era o doido de verdade. Ainda bem que, naquele dia, Quequé era doido carinhoso.

30/08/2010

O Prefeito e a Providência


Prefeito de Tabuí era uma negação. Nenhum progresso trazia pra cidade que parecia caranguejo. Só ia pra trás. Entrava ano, saia ano e Tabuí continuava na mesmice de sempre. Nas redondezas aquela terrinha começou a ser chamada de "já teve". Já teve campo de futebol, já teve rodoviária, já teve escola municipal boa, já teve zona decente...
Um dia prefeito recebe uma reclamação:
- Sô prefeito, o teto do grupo caiu!
- Que grupo, meu fio?
- O grupo, sô prefeito! O grupo escolá! L'adonde a gente aprende a lê!
- Ah, bão! Dexa comigo que vô tomá providência!
Tomava providenciamento nenhum. Esquecia. Ia pra casa, escondia dos problemas e não dava mais o ar da graça.
- Prefeito, a ponte do corgo seco quebrô!
- Quebrô? Pode deixá! Vô tomá providência!
- Prefeito, a gente picisa duma iscola no Pindura Saia! Dá um jeitinho!
-  É cumigo memo! Vô tomá providência!
Povo foi ficando chateado. Nervoso. Revoltado até com o descaso do prefeito. O homem não queria nem saber quem lustrou as costas da barata e nem quem botou fogo no inferno. Vivia encafuado dentro de casa. Vez ou outra é que apontava o nariz. Bastava ouvir reclamação sumia de novo. E ainda dizia que ia tomar providência...
O caso ficou mais sério no dia da enchente. Rio Sorongo não deu conta de segurar aquele aguão todo dentro das suas caixas. Entornou água na metade da cidade. De quebra lavou tudo no cemitério. Era defunto boiando, esqueleto escorrendo rua a fora, caveira descendo ladeira abaixo... Tanta mortaria pelas ruas que arrepiava até cachorro vira-lata. O defunto da gorda Dorotéia, enterrado dois dias antes do dilúvio, deu o maior trabalho pra ser encaixado de novo na sua última morada. Continuou teimosa na morte como o foi em vida. E o prefeito dizendo:
- É comigo memo! Deixa que tomo providência!
Povo desorientado resolveu tirar o desgramado do prefeito de dentro do seu esconderijo. Alguns cidadãos mais indignados invadiram a casa da autoridade. Tava lá o homem, num quartinho dos fundos, só de cueca, cercado de garrafas vazias, num porre danado e tomando mais uns goles de Providência, a famosa pinga do vale do Sorongo.

24/01/2009

A Mulher Que Queria Ser Viúva

Prefeito de Tabuí resolve construir um galpão para abrigar a feira da cidade. Contrata dois pedreiros e um servente e manda executarem o empreendimento. Já quase no final da obra, estão lá os três tirando as estacas que seguravam a laje quando o servente, o Raimundo Capeta, tem uma puta dor de barriga e corre pra privada lá no fundo do terreno. Os dois pedreiros continuam sua tarefa mas nem bem terminam de tirar o escoramento, o teto vem abaixo. Morrem os dois amassados pela laje mal feita.
Prefeito fica apertado. Medo de processo, de indenizações, etc. e tal. Resolve agradar às famílias dos mortos. Decreta luto no município por três dias e eleva os pedreiros à condição de heróis da cidade. Uma semana depois manda celebrar missa e convida o povo à Câmara Municipal para as condecorações “post mortem”. Faz discurso. Promete salário vitalício às viúvas , estudo e material escolar de graça para os filhos e até um tal de plano de saúde.
Povinho todo fica satisfeito com o prefeito e houve mulher que queria estar na pele daquelas viúvas. Até que a mulher do Raimundo Capeta não agüenta tanto sufocamento e solta o verbo enquanto tasca um beliscão na barriga do marido:
- E ocê, heim? Tinha que tá cagano naquela hora?