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10/04/2013

ZAQUEU NO RIDIJANERO




Cês num sabiam, mas foi com o Zaqueu de Tabuí que aconteceu este causo, tão conhecido por tanta gente por este país a fora chamado Minas. Quando ele foi ao Rio de Janeiro pra se engajar na Marinha, resolveu passar pela praia pra dar uma espiada no marzão.
Foi aí que “bismado cas praia, pé discarço, sem camisa, caquele carção branco samba canção e sem cueca pur dibacho” começou a ser motivo de piada por parte dos nativos, os cariocas. Sem ligar nem um tiquim pras piadas e pras zombarias, Zaqueu olhou praquele lagoão e num guentô. Saiu correndo e “deu um mergúio, deu cambaióta, pegô jacaré, tomou água salgada, engoliu areia e tudo mais.”
       Quando saiu, o carção branco de pano finim tava transparente e grudadim na pele. E todo mundo na praia reparano, oiano pro tamanho do trem que o mineirim tinha. Até bem pertim do juêio... A cariocada nunca tinha visto coisa igual. As muié cum sorrisão, os homi roxo d’inveja... Só tinham olhos pro lado do Zaqueu.    Quando ele se apercebeu da situação, ficou vergonhento e encarou a turma dos machos:
       - Que qui foi, uai? Seus bobãuns... Vão dizê qui niquicêis pula na água fria, o coisim docêis num incói tamém?....

05/02/2013

DESEJO DE GRÁVIDA





 

Praxedes saíra de Tabuí com sua Marília uma semana atrás. Grávida, de cinco meses. Foram passar uns dias na praia para, na linguagem da Marília, curtir a gravidez, no que o Praxedes muita graça não tava achando. Aquela praia só tinha água e areia. Semana inteira, cruzcredo! Faltava diversão.
Naquela noite, tarde da noite, Marília dá vontade de comer caranguejos e obriga o coitado do Praxedes a providenciar um tanto pra ela. O moço até achou bom aquele desejo da cara metade pois, afinal, iria sair sozinho àquela hora, o que mudava um pouco a monotonia daqueles dias.
Foi assim que, numa esquina bem movimentada, quem ele viu? A namorada dos tempos de escola. Oi pra cá, oi pra lá e resolvem tomar uma cervejinha para comemorar o encontro. Uma cervejinha chamou outra e mais outras, acompanhadas de beijinho aqui, beijinho ali, mão na mão, mão chegando perto daquilo e empolgação demais da conta. Vão os dois lá pra praia e recordam e recordam e recordam os velhos tempos. Quando Praxedes dá por si, o dia tá amanhecendo e o sol começando a mostrar a cara. Aí ele dá um grito, assustando a coleguinha de escola, antes de sair correndo:
- Meu Deus! Os caranguejos!
Acha um pescador e compra umas três dúzias de crustáceo, bota tudo numa lata e sai correndo rumo da pensão, procurando descobrir a desculpa que iria dar para Marília por tão grande atraso.
- Vou ter que contar pra ela, meu Deus! É a única solução. Tô ferrado! Também quem manda gostar tanto de um rabo de saia? Se estrepei!
Assim que chega à pensão, pensando que a porta tava trancada, encosta-se nela para pensar mais um tiquim até ver se aparece aquela desculpa de que ele tanto precisava. Mas ao forçar a porta com a cabeça, a porta se abre repentinamente, a lata cai e despeja caranguejo pra tudo quanto é lado, e eles se espalham pelo corredor a fora.
Marília, preocupada com o sumiço do marido, tava só cochilando e acorda tonta e assustada. Aí ela viu que era, de fato, o marido e se emocionou quando o ouviu dizendo pros bichinhos caranguejos, enquanto os empurrava para dentro do quarto:
 - Vamos lá, caranguejada! Demoramos, mas chegamos… Agora todo mundo pra dentro!


(Da internet. Reescrito.)

25/11/2012

O PROBLEMA DOS OUTROS TORNA O NOSSO MENOR?

     Isaldino sai de Tabuí e vai pro Rio de Janeiro conhecer as praias, as mulheres das praias e mais um punhado de coisas que vira na televisão. Lá na praia vira o zoinho puma mocinha e se engraça pro lado dela pedindo namoro enquanto, de longe, o casal era vigiado pelo rapaz do morro. A moça era a namorada do chefe. Não deu outra. Assim que Isaldino vai lev
ar a moça lá pro alto, é cercado pruns homens de pouco riso.


     - Ocê se fudeu, mineirinho! Agora vai ver com quantos paus se faz uma canoa!
     E levam o pobre do Isaldino prum barraco onde tava um bitelo do homem.
     - Djalmão, o chefe ordenou inaugurar esse daí e mandá vê no fiofó dele que é pra ele aprender a não mexer no que é dos outros.
     O Djalmão, que tomava umas biritas num canto do quarto, apenas diz com aquele vozeirão de homem grande:
     - Pode deixá ele aí no cantinho que cuido dele já, já!...
     Isaldino, até arrepiado, sentindo o perigo rondar, fez um apelo:
     - Seu Djalmão, faiz isso comigo não... dependeno do que o sinhô fizé, minha vida vai acabá... meu nome vai valê de nada...
     - Cala a boca aí, ô nanico e fique quieto!...
     Nisso, batem à porta do barraco e entram outros caras trazendo outro infeliz que desrespeitara mais alguma regra do morro.
     - Djalmão, esse daqui o home mandô cortar as duas mãos e furar os olhos... é pra ele aprender a não tocar no dinheiro do chefe!...
     - Deixe ele aí que eu resolvo!
     E chega mais um, revoltado e xingando todo mundo.
     - Djalmão, esse daí é pra cortar o bilau e a língua... é pra ele não se meter mais com mulher da favela!
     - Resolvo isso já, já. Bota ele ali no cantinho com os outros...
     Vendo-se num mato sem cachorro, com a tensão crescendo a cada segundo, olhando pros dois colegas de infortúnio, Isaldino, com medo do que lhe esperava, resolveu se manifestar:
     - Seu Djalmão, com todo o respeito, só pro senhor não se confundir, eu sou o do fiofó, viu?