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27/04/2013

É CAINDO QUE SE LEVANTA


Janjão Boavida andou prestando concursos para uma série de cargos em várias cidades e em nenhum ele passou. Até que surgiu uma vaga de porteiro, no grupo escolar de Tabuí. Ele foi lá, descobriu que o entrevistador era um companheiro de golo e pensou “tô feito”. E tava mesmo. Um dos cinco aprovados, ele com nota máxima. Foi encaminhando para outra sala para os procedimentos finais.
- Senhor Boavida, o senhor tá aprovado e o serviço é seu. Preciso que o senhor me dê o seu endereço eletrônico para receber uma ficha a ser preenchida e enviar-lhe o dia em que deverá apresentar-se ao serviço.
Gente fina a moça que disse essa exigência, pensou Boavida. Além de falá bonito, ela bem que pudia se apaixonar por eu...
- Moça, num tenho isso não... Nem sei o quequéisso!...
- Então, senhor Janjão Boavida... O senhor vai continuar na boa vida... Sem e-mail não tem emprego não...
Janjão tava com míseros doze reais no bolso. Resolveu ser criativo. Foi lá na feirinha e comprou uns maracujás bem bonitos para revender no dia seguinte na feira. E não é que deu certo? Ao final do dia, tinha dobrado o capital. No dia seguinte, bem cedinho, vai lá na roça, na lavoura do dono do maracujá e compra o produto em quantidade maior e a preço menor e leva pra cidade. O capital de 24 reais, ao final do dia tava em 55 reais. Enquanto maracujá havia, Boavida foi duplicando, às vezes triplicando o capital, gastando o mínimo possível. E, a cada semana que passava, a boa vida do Boavida ia diminuindo, pois passou a levantar mais cedo e a dormir mais tarde. E o capital aumentando, principalmente depois que, além do maracujá, passou a comercializar xuxu, gueroba, ovo de galinha caipira, frango caipira, queijo mineiro, lambari limpo... Aí teve que comprar um jipinho velho para carregar as bugingangas. A cada dia, tirando as despesas com a gasolina do jipe, o capital continuava a ser duplicado. Janjão, depois de confabular com seus botões, viu que Tabuí tava pequena pro seu mundo. Começou a atender as cidades vizinhas, com a ideia de chegar à capital. Comprou um caminhõezinho velho e depois mais outros que foi arrumando e, substituindos-os por caminhões mais novos, até que chegou a uma frota nova e bem organizada, levando seus produtos para a capital e outras capitais, transformando-se num dos maiores atacadistas de alimentos do Estado.
Foi aí que Janjão resolveu fazer um seguro de vida para a família toda, depois de se mudar para a capital. Chegou o corretor com aquela série de exigências e fichas pra preencher e fez tudo o que precisava. Para assinar o contrato ele pediu:
- Senhor Janjão Boavida, agora preciso do seu e-mail para fazer parte do nosso cadastro e sempre mandar-lhe as novidades da nosssa corretora.
- Tenho isso não, moço!
- Mas, como? O senhor como um dos maiores empresários de um segmento importante para a sociedade e ainda não tem e-mail? Já pensou o que o senhor seria se tivesse um e-mail?
- Ó, seu corretor, num teria andado muito não. Seria o porteiro do grupo escolar, lá de Tabuí.

28/03/2013

O QUE QUERIA O FREGUÊS?




Chega um freguês no armazém do Pelágio e logo faz o seu pedido:
- Uuumbaaaaldeeevivim!....
- Hein? O que o senhor deseja?
- Uuumbaaaaldeeevivim!....
- Hum?
- Uuumbaaaaldeeevivim!....
O Pelágio não conseguia entender o que o freguês, já meio nervoso, queria. Aí chamou o Zé, seu funcionário:
- Izé, atende este freguês ai!
- Pois não, freguês, o que o senhor deseja?
- Uuumbaaaaldeeevivim!....
- Ah, pois não!
O Zé foi lá, pegou um troço, embrulhou, o freguês pagou, recebeu o troco, deu tiau e foi embora.
O Pelágio, não entendia o que tava acontecendo. Pensou “que coisa! sou até mais estudado do que o Zé e não entendi o que o homem queria... E o Zé, na mesma hora matou a charada...” Chamou o Zé para pedir explicação:
- Zé, afinal de contas, o que que o moço queria?
- Uuumbaaaaldeeevivim, uai!

25/01/2013

OVOS FRESCOS




     

    Esta é bem fresquinha. Acabou de acontecer. Romualdo era da turma lá do Tauá, um vilarejo bem nos confins de Tabuí, de onde o pessoal vinha pra vender sua produção e ganhar uns trocados. Como todo mundo de Tauá, Romualdo tinha a cara de bobo, mas bobo ele era nada. Só conversa mole. Aí ele passava pela rua gritando:

     - Ói o ovo! Ói o ovo bão! Ói o ovo bão e fresquinho!...

     Aquela conversa mole batia no coração das donas de casa tabuienses e ele vendia ovo feito água. Foi dona Clarice quem saiu à porta:

     - Mas esses ovos tão mesmo fresquinhos, moço?

     - Tão, moça! Fresquinho mezzz!

     - Quanto tá a dúzia?

     - É dois real, dona! Só pruquê é pra sinhora!

     A falsidade não convenceu dona Clarice. O que a convenceu foi o preço da dúzia dos ovos, menos da metade do preço do mercado. Ela pensou “ele deve ser meio bobo, coitado”. E comprou. Duas dúzias.

     Depois de uns dois ou três dias, tá o Romualdo passando de novo pela rua. E tá lá dona Clarice esperando indignada “esse ordinário, filho de uma rapariga que vai me pagar!”...

     - Olha aqui, seu filho da mãe! Você não disse que os ovos tavam fresquinhos? Das duas dúzias que comprei só um estava bom. O resto joguei fora! Foram todos pro lixo!

     Romualdo nem se assustou. Com a mesma voz mansa e mole, respondeu:

     - Ichh! A senhora teve foi sorte! A sua vizinha dali de riba comprô tamém e num aproveitô foi nenhum!...

     Dona Clarice foi pra cima do Romualdo que, saindo de fininho, dizia:

     - Carma, dona!... Carma!...
(Este causo foi enviado por M.T. Sallum, de Caxambu-MG)