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21/08/2014

ESTAVAM OS JACARÉS EM JEJUM?


   Esta aconteceu em Belo Horizonte, num bairro cheio de lindas chácaras e de casarões bonitos. O dono da mansão, um ricaço que gostava de se mostrar e de contar vantagens, quando estava rodeado por quase todos os bajuladores que vieram pra festa, já tarde da noite, prometia:
   - Nesta piscina coloquei 52 jacarés do papo amarelo. Estão todos há dias sem comer. Dou a minha mansão pra quem atravessar a piscina a nado. São apenas 30 metros de comprimento.
   Os convidados olharam um pro outro, torceram o nariz e ninguém se animou. Nem o funcionário que fazia a limpeza dos jardins da mansão e que naquela noite estava ganhando um extra do patrão. O tabuiense Zaqueu até que ficou tentado, mas quando viu a bocarra do jacaré pensou melhor e ficou no escurinho, à moita da bananeira de jardim, aguardando os acontecimentos.

   - Pois então, dou minha mansão e mais o meu jato particular pra quem atravessar minha piscina a nado agora...
   Nada. Ninguém se animava à empreitada. Cada um rindo amarelo e com falta de coragem. Aí veio outra proposta, mais tentadora ainda:
   - Ó, minha mansão com escritura e tudo, meu jatinho e mais duzentos mil reais em barras de ouro... Quem topa?
   De repente, um barulhão dentro da piscina. Todos olham curiosos e o dono reconhece o Zaqueu, magrilim, nadando feito um louco, entre os jacarés. Emocionado, o dono da festa, ao dar a mão pro Zaqueu sair da piscina, diz:
   - Que homem corajoso é você! Parabéns! Acabou de ganhar os prêmios! Vou entregar-lhe tudo o que prometi agora mesmo...
   - Eu não quero porra de prêmio ninhum!
   - Não quer? Mas o que você pretende então?
   - Pretendo nadica de nada. Só quero sabê quem foi o fedaputa que me impurrou denda piscina!...
©By Eurico de Andrade, in Tabuí e seus Causos https://www.facebook.com/causos e http://tabui.blogspot.com.br/

20/04/2013

ELE VIU A LIGEIREZA DELAS




Aquele dia foi a glória pro Varistão. Num domingo ensolarado ele saiu de Tabuí levando dois baldes e foi pra sua fazendinha buscar umas frutas. Olha daqui, olha dali, cuida disso, cuida daquilo, até que ouviu uns gritos pros lados do açude. Na fazenda não ficava ninguém, nem pra tomar conta e ele estranhou a gritaria. Ao chegar mais perto, viu que umas oito moças, todas nuas, tomavam banho no açude. Varistão achou aquilo bão demais da conta e foi indo devagarinho carregando os baldes, já com algumas frutas e apreciando os detalhes da surpreendente paisagem. “Isso é que é muié e não aquela jararaca que tenho lá in casa”, pensava ele.
Mas, como tudo que é bom dura pouco, uma delas viu o Varistão. Soltou um grito, mergulhou e foi pra parte mais profunda do açude. Foi igual acontece a um bando de capivaras. As outras fizeram o mesmo, numa gritaria só.
- Bom dia, moças! Tudo bem cocêis?
A turma não sabia  o que dizer e o que fazer. Até que uma resolveu dar bronca no dono da terra e do açude:
- A gente não sai daqui enquanto o senhor não parar de espiar a gente e for embora!...
Varistão dá um sorriso maroto e retruca, mostrando os baldes:
- Moça, num vim aqui pra espiá ocêis não!.. Vim aqui foi pa trazê carne pra alimentá os jacaré que tão com uma fome danada nessa parte mais funda do açude.
Aí é que foi gritaria de verdade. E Varistão teve mais oportunidade de apreciar a paisagem enquanto catava os paninhos que as moças deixaram pra trás, na ânsia de fugir dos jacarés...