15/02/2009

Bate-papo no boteco

Os dois mineiros, ambos chateados – não, chateados não! – putos da vida com suas mulheres, cada qual por motivos vários, se encontram no boteco do Vadico, no centro de Tabuí.
- Ó cumpade, muié é o bicho mais estranho que cunheço! Cê num acha que é mêsss?
- É, sô!... É mêsss!... Num gosta de pescá!...
- E num é que é? Num gosta de caçá!...
- Nem de futibor, uai!
- A pois, e num gosta tamém de contá piada!...
- Nem de tomá umas pinguinhas mode moiá a guela, né?
- Óia, cumpade, cê qué sabê? Se num tivesse aquele trem que nóis gosta, eu nem cumprimentava!

Podela... É o troço!

Em Tabuí, certa ocasião, havia um armazenzim cujo dono, o seu Zé Biriba, se gabava de ter tudo, qualquer coisa que se pedia no balcão. Se não tinha, fazia questão de encomendar a qualquer custo, só para atender o cliente. Com isso, a fama do estabelecimento corria pela região e vinha gente de toda parte procurar coisas que não se achava nem na capital da emigê.
Sabendo disso, um paulista, daqueles bem folgados, que estava passando as férias pelas Minas, decidiu conhecer o tal Zé Biriba do armazém. Chegando lá, pediu uma coisa bem difícil, uma barra de direção para sua pick up importada. O Biriba foi lá no fundo, caçou, caçou e, passou nem dois minutos, voltou com a tal peça.
O paulista, espantado, pensou:
- Não é possível que esse cara tenha tudo aí, vou tirar um barato da cara dele. Voltou para o hotel e ficou a noite toda pensando em como iria pegar o cara da venda. Pensou bem e no outro dia foi até o armazém e pediu:
- O Zé, você tem podela?
- Ãhn! Podela?
O Zé Biriba olhou espantado, coçou a cabeça, craniou, craniou e falou pros seus botões: "Podela? Que diabo é isso? Nunca ouvi falá nesse troço... E agora? Se eu num atendo esse cara aí, todo metido, meu estabelecimento vai perder a fama e os criente vai sumir! Oquecofaço?”
Pensou mais um pouco, coçou a cabeça, suou frio, ficou desinquieto, foi lá fundo, voltou e disse ao paulista:
- Óia aqui, ó: tá em farta, mas vou encomendá e amanhã cedo o senhô passa aqui e pega. É dez o quilo.
O paulista, meio desconsertado com a resposta do Biriba, voltou pra pensão pensando: O que será que esse mineiro vai achar com esse nome?
O mineiro Biriba fez de tudo, ligou pros seus fornecedores lá de Bambuí, de Bel’Zonte e até de Tapiraí, mas ninguém fazia nem idéia do que seria aquele trem. Foi aí que veio aquela coisa no pensamento e ele percebeu que o paulista tava era de sacanagem. Decidiu dar o troco.
No almoço daquele dia, o Zé comeu uma bruta feijoada. À noite não deu outra. Foi ao banheiro e prrrrrrrruhhhh. Fez aquele trem enorme e fedorento. Pegou o troço com uma pazinha e botou no forno por umas 3 horas até que virasse uma pedra bem dura. Aí, colocou tudo na maquininha de moer carne, embalou e deixou em cima do balcão com a devida identificação.
No dia seguinte chega o paulista todo imponente, com um sorriso no rosto e, já esboçando um ar de vitória, disse:
- Conseguiu encontrar minha encomenda?
- Craro, uai!... - Disse o mineiro, mostrando o saquinho no balcão.
O paulista então pediu:
- Quero quilo e meio!
- Tão aqui, sô! É quinze mango!
Então, o paulista, curioso, pegou um bocado do pó com dois dedos e experimentou uma pitada. Pediu uma colher, encheu e mandou ver, tentando descobrir o que era aquilo com aquele gosto estranho.
- Mas isto aqui é bosta!
O Zé Biriba riu amarelo e disse:
- Não! É não, sô! Isso é o pó dela.

(Este causo foi, com a devida autorização, surrupiado e adaptado do http://loucurasedevaneios.blogspot.com/ )

12/02/2009

Mulher pelada não compra pinga

Esta aconteceu ali bem perto da casa amarela que é onde moram as três mulheres “de vida fácil” de Tabuí. Foi no boteco do Zé Mineiro. Chega uma mulher nua e pede cachaça.
O Zé, com medo de a sua cara-metade ver aquela encrenca, fica aturdido e espantado, mas, mesmo assim, debruça-se sobre os caixotes que serviam de balcão e observa a visitante, prestando muita atenção nos detalhes.
Aí a mulher pede mais cachaça. Ele, outra vez, debruça-se sobre os caixotes, meio na dúvida, cheio de pontos de interrogação.
- Cê nunca viu muié pelada não, é?
- Uai, sá!... Já vi sim, senhora!
- Intão pra quê qui tá assustado?
- É qui eu tô quereno é sabê dondé quiocê vai tirá o dinheiro pra me pagá as pinga, uai!

03/02/2009

Documento trocado

Cirino tinha a fama de ser o maior pé inchado de Tabuí. Bebia para esquecer que bebia. Mas, como era um bom papo, fazia muitos amigos nas suas noites de bebedeira. Dizem que a dupla Cirino e Aruerinha foi a mais famosa na história boêmia da cidade. Os dois conversavam e bebiam muito, cantavam bem e até arranhavam um violão. Numa tarde de sábado, Cirino, como sabia que teria uma noite longa pela frente, passou no açougue Vaca Profana e comprou dois palmos de lingüiça e enfiou aquilo no bolso. Encontrou o Aruerinha e foram encher a cara. Naquela noite ajudaram a fechar vários botecos e biroscas.
Quando não tinham mais aonde ir, resolveram fazer serenata. Cantaram Acorda Amor na casa paroquial, o Hino Nacional na prefeitura, O Ébrio na casa do Pandiá e assim por diante. Chega certa hora, dá no Cirino uma vontade louca de verter água.
- Ô Aruerinha, hic! Segura aí o meu violão!
E Cirino encosta-se a um poste sem luz e faz os preparativos para o serviço. Só que – detalhe - o bolso, aquele onde ele tinha colocado a lingüiça, estava furado. E Cirino, no lugar de pegar o dito-cujo, pegou a lingüiça e se aliviou demoradamente. Mesmo tonto, notou que a calça ficara toda molhada. Solução foi chamar o amigo e falar com preocupação:
- Corre aqui, Aruerinha. Tem pobrema. Hic! Acho que meu saco tá furado!
Aruerinha colocou com dificuldade os dois violões no chão, acendeu com muito custo um isqueiro e foi examinar o documento de Cirino. Olhou, olhou e deu seu veredito, falando enrolado:
- Ó, Cirino, hic, hic! Negoço é que tem uma paia amarrada na ponta dele. Como ocê forçô muito pra uriná, a urina vortô e derramô pelo ladrão. Acho que num tem gravidade não, hic! Ele só tá é muito vermeio!...
Hic, hic!!!